Recebeu sua vida toda em um dia. Um dia com toda sua vida. Passou diante dos olhos como se tivesse tomado um psicotrópico qualquer, fazendo encher de significado o que até então parecia vazio.
Como uma carta que te chega sem aviso prévio, te mostrando tudo que vai acontecer, te lembrando de você quando nem endereço lembrava que tinha. Um tapa na cara, um soco no estômago. A dormência nas extremidades e o abandono da lucidez.
Toda a vida em um dia. Chegou de surpresa e acariciou seus lábios. Fez vazar dos olhos a água salgada e sentir a textura do chão. Depois de tanto tempo, a vida. O cumprimento ao destino, a encruzilhada que levou ao deleite da própria existência.
Um dia que te lembrou porquê, que te fez amolecer e olhar as gotas da chuva sem se importar. O dia que te fez engolir a própria saliva, olhar pro mundo em outros olhos...
Toda a vida em um dia. Dia que não termina, noite que não clareia. Chuva que te lembra do dia em que viu toda sua vida, ali, bem na sua frente.
terça-feira, 20 de março de 2012
sexta-feira, 16 de março de 2012
Por achar que estava morto, andou sem sentir os pés. Caminhou sobre pedras cortadas e encaixadas toscamente. Andou um caminho conhecido, um trajeto que ja havia feito várias vezes. Dessa vez sem vida. Ao aproximar-se do destino, sentiu algo estranho dentro de sua pele, não sabia dizer exatamente onde, só que batia e incomodava, desritmando seus passos sem vida. Sentiu crescer no peito um calor quase insuportável que não era resultado dos quarenta graus que fazia na rua.
Pisou com o pé direito, dentro. Sentiu o comodo engolir o que ainda restava de seu corpo e deixou-se cair. Transpirava como um porco, sentiu as gotas escorrerem pelo couro cabeludo e mostrarem-se no rosto vermelho. Sentiu o que achava não existir; o que achou ter ficado pra trás, largado como nada. Viu um par de pernas se afastando e sentiu o coração escapando também. Seguiu os cabelos negros e chegou a um quarto branco, mais colorido do que qualquer coisa que havia visto. Estava vivo, sabia disso.
A vontade de gritar era imensa, mas sabia que era importante segurar-se ali. Só fez sorrir e fotografar tudo com seus olhos que não podiam esconder o entusiasmo... Sentiu seus braços formigarem, mais um sinal de vida. As extremidades não estavam mortas e o incomodo em seu peito tomou conta de todo seu corpo, pulsando cada vez mais forte. Segurou os braços da dona dos cabelos negros. O mundo se fazia presente do lado de fora, como um organismo vivo, independente. Os carros buzinavam e algumas árvores deixavam seus frutos caírem, mostrando que também estavam vivas. Tudo era sinal da vida. Tudo. Mas foram os braços e o par de pernas da dona dos cabelos negros que o certificaram de sua existência, além dos cômodos mágicos que sempre o levaram a um infinidade de lugares diferentes... "Nunca mais quero sair daqui"
Pisou com o pé direito, dentro. Sentiu o comodo engolir o que ainda restava de seu corpo e deixou-se cair. Transpirava como um porco, sentiu as gotas escorrerem pelo couro cabeludo e mostrarem-se no rosto vermelho. Sentiu o que achava não existir; o que achou ter ficado pra trás, largado como nada. Viu um par de pernas se afastando e sentiu o coração escapando também. Seguiu os cabelos negros e chegou a um quarto branco, mais colorido do que qualquer coisa que havia visto. Estava vivo, sabia disso.
A vontade de gritar era imensa, mas sabia que era importante segurar-se ali. Só fez sorrir e fotografar tudo com seus olhos que não podiam esconder o entusiasmo... Sentiu seus braços formigarem, mais um sinal de vida. As extremidades não estavam mortas e o incomodo em seu peito tomou conta de todo seu corpo, pulsando cada vez mais forte. Segurou os braços da dona dos cabelos negros. O mundo se fazia presente do lado de fora, como um organismo vivo, independente. Os carros buzinavam e algumas árvores deixavam seus frutos caírem, mostrando que também estavam vivas. Tudo era sinal da vida. Tudo. Mas foram os braços e o par de pernas da dona dos cabelos negros que o certificaram de sua existência, além dos cômodos mágicos que sempre o levaram a um infinidade de lugares diferentes... "Nunca mais quero sair daqui"
sexta-feira, 9 de março de 2012
quinta-feira, 8 de março de 2012
De novo o branco. As cores se foram e o que sobra é o branco. Do papel, do nada, da lista que nao traz seu nome, o branco. Sei que as cores te acompanham e fazem caminhos aquarelados por onde passa. Sou muito feliz por ter visto esses caminhos algumas vezes. Sei que será estrela em outro céu, que o azul não será o mesmo quando não compartilhado com você e que o seu sorriso descobrirá um estopim. Um amor imenso que te impulsiona e te deixa voar, livre... Livre como é, como quer, como transpira. Livre pra construir caminhos e passarelas pra todos os lados...
Eu não sei o que escrever. É uma falta que sobra, uma falta que acompanha a cada minuto, uma falta que preenche tudo, tornando cada coisa mais vazia. A falta, a falta que me faz.
Eu não sei o que escrever. É uma falta que sobra, uma falta que acompanha a cada minuto, uma falta que preenche tudo, tornando cada coisa mais vazia. A falta, a falta que me faz.
quinta-feira, 1 de março de 2012
"Natacha e eu fomos ao jardim. O dia estava quente, ensolarado. Eles partiriam dentro de uma semana. Natacha lançou-me um olhar prolongado, estranho.
- Vânia - disse ela -, Vânia, isso foi um sonho!
- O que foi um sonho? - perguntei-lhe.
- Tudo, tudo - respondeu ela -, tudo durante este ano. Vânia, por que eu destruí sua felicidade?
E eu li em seus olhos:
'Nós poderíamos ter sido felizes juntos pra sempre!'"
Humilhados e Ofendidos - Dostoievski
- Vânia - disse ela -, Vânia, isso foi um sonho!
- O que foi um sonho? - perguntei-lhe.
- Tudo, tudo - respondeu ela -, tudo durante este ano. Vânia, por que eu destruí sua felicidade?
E eu li em seus olhos:
'Nós poderíamos ter sido felizes juntos pra sempre!'"
Humilhados e Ofendidos - Dostoievski
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