domingo, 18 de dezembro de 2011

idiossincrasia

Olhou com os olhos de quem mira algo a quilômetros de distância e disse o que lhe veio a cabeça:
- Só quero que saiba que tudo continua do mesmo jeito pra mim.
- Que jeito?
- Aquele de um tempo atrás, quando não precisavamos contar os dias para nos despedirmos...
- ahh... entendi.
Um vento forte alcançou sua nuca, lembrando que não estava dormindo. Ficou sem graça como sempre, olhou o chão, mas queria mirar os olhos a sua frente. Sentiu que estava vermelho pois seu rosto queimava em brasa e sua testa pingava.
- Mas é ótimo tudo isso! Vai pra onde sempre quis, conhecer pessoas legais e aprender demais.
- É, tem razão, mal posso esperar - respondeu enquanto sorria aos poucos, sem perceber.
Sentiu que deveria dizer tudo. Tudo que quisesse, tudo que lhe parecesse necessário, algo que o tornasse inesquecível ali e agora, uma coisa que lembraria pra sempre... Observou as nuvens que se aproximavam e sentiu uma gota em seu rosto. Sorriu. Pensou em tudo, tudo.
Prestou bem atenção quando, bem na sua frente, ela fechou os olhos e sorriu ao sentir cada gota tocar seu rosto. Era agora, tudo tinha que ser dito... o tempo é curto...
- Vamos fazer um suco?
- Eu estava pensando exatamente isso - devolveu com uma alegria que nenhuma outra proposta ou declaração lhe proporcionaria.
Colocar toda a energia em algo que não traz frutos. Frustrar a expectativa de todos e tentar andar sem deixar a cabeça cair. Correndo o mundo com o desespero ansioso que não leva a lugar nenhum, seguido do sorriso desconcertado e sem graça de quem já se acostumou a perder. Sorriso que vira lágrimas, lágrimas que não poderão ser vistas aí de onde estão.
Tentar de tudo fora de casa e acreditar que ainda há chance, até o fim. Ouvir as palavras de consolo e esperança, ja sabendo que as decepcionarei no fim de tudo. Correr todos os riscos e aproveitar, não sei o que, mas aproveitar. Só me restam pessoas, que se vão com velocidade. Não me resta muito e volto pra casa que cresci, envergonhado, enquanto sento na calçada que me viu crescer...

sábado, 17 de dezembro de 2011

Despausar o que esteve em estado de inércia a tanto tempo. Ouvir todos os sonhos sem sair do lugar. A urgência me prende ao chão e eu torço para que o momento se prolongue por tempo indeterminado. Olho para o céu sem saber o que procuro e subo com o vento no rosto, observando cada estrela que, todos sabemos, já não brilham a algum tempo.
Encarando a pia manchada, olhando o bolso vazio. Tudo que foi e que é guardado em espaços abstratos que só existem enquanto a cabeça existir. Amanhã estaremos juntos e o ontem não volta mais. Um ciclo de pessoas que entrarão e sairão, todas juntas, todas de uma vez, para que possa procurar o que lhe falta de algum jeito.
O que fará feliz, o que trará sorrisos e o que será amado. Um banco vazio e vozes silenciadas que suscitarão uma leve coceira e sorriso rápidos... O melhor de todos os tempos chegando ao fim, para que o novo se torne o melhor pelo tempo que for. tudo vai e fica, enquanto revivo o que é, e sempre será, único pra mim.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

E então percebeu que, ás vezes, a felicidade tem prazo de validade...