domingo, 18 de dezembro de 2011

idiossincrasia

Olhou com os olhos de quem mira algo a quilômetros de distância e disse o que lhe veio a cabeça:
- Só quero que saiba que tudo continua do mesmo jeito pra mim.
- Que jeito?
- Aquele de um tempo atrás, quando não precisavamos contar os dias para nos despedirmos...
- ahh... entendi.
Um vento forte alcançou sua nuca, lembrando que não estava dormindo. Ficou sem graça como sempre, olhou o chão, mas queria mirar os olhos a sua frente. Sentiu que estava vermelho pois seu rosto queimava em brasa e sua testa pingava.
- Mas é ótimo tudo isso! Vai pra onde sempre quis, conhecer pessoas legais e aprender demais.
- É, tem razão, mal posso esperar - respondeu enquanto sorria aos poucos, sem perceber.
Sentiu que deveria dizer tudo. Tudo que quisesse, tudo que lhe parecesse necessário, algo que o tornasse inesquecível ali e agora, uma coisa que lembraria pra sempre... Observou as nuvens que se aproximavam e sentiu uma gota em seu rosto. Sorriu. Pensou em tudo, tudo.
Prestou bem atenção quando, bem na sua frente, ela fechou os olhos e sorriu ao sentir cada gota tocar seu rosto. Era agora, tudo tinha que ser dito... o tempo é curto...
- Vamos fazer um suco?
- Eu estava pensando exatamente isso - devolveu com uma alegria que nenhuma outra proposta ou declaração lhe proporcionaria.
Colocar toda a energia em algo que não traz frutos. Frustrar a expectativa de todos e tentar andar sem deixar a cabeça cair. Correndo o mundo com o desespero ansioso que não leva a lugar nenhum, seguido do sorriso desconcertado e sem graça de quem já se acostumou a perder. Sorriso que vira lágrimas, lágrimas que não poderão ser vistas aí de onde estão.
Tentar de tudo fora de casa e acreditar que ainda há chance, até o fim. Ouvir as palavras de consolo e esperança, ja sabendo que as decepcionarei no fim de tudo. Correr todos os riscos e aproveitar, não sei o que, mas aproveitar. Só me restam pessoas, que se vão com velocidade. Não me resta muito e volto pra casa que cresci, envergonhado, enquanto sento na calçada que me viu crescer...

sábado, 17 de dezembro de 2011

Despausar o que esteve em estado de inércia a tanto tempo. Ouvir todos os sonhos sem sair do lugar. A urgência me prende ao chão e eu torço para que o momento se prolongue por tempo indeterminado. Olho para o céu sem saber o que procuro e subo com o vento no rosto, observando cada estrela que, todos sabemos, já não brilham a algum tempo.
Encarando a pia manchada, olhando o bolso vazio. Tudo que foi e que é guardado em espaços abstratos que só existem enquanto a cabeça existir. Amanhã estaremos juntos e o ontem não volta mais. Um ciclo de pessoas que entrarão e sairão, todas juntas, todas de uma vez, para que possa procurar o que lhe falta de algum jeito.
O que fará feliz, o que trará sorrisos e o que será amado. Um banco vazio e vozes silenciadas que suscitarão uma leve coceira e sorriso rápidos... O melhor de todos os tempos chegando ao fim, para que o novo se torne o melhor pelo tempo que for. tudo vai e fica, enquanto revivo o que é, e sempre será, único pra mim.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

E então percebeu que, ás vezes, a felicidade tem prazo de validade...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Mostrar o caminho e soltar a mão. Ver sorrir de longe. Esquecer meu rosto e sentir que alguma coisa ficou, só não se sabe o que. Encontrar o que te faz pensar e ser extremamente feliz. E eu continuo ali, parado. Agora sou só um número. Tudo bem, contanto que esteja feliz.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Percebeu que adorava fingir. Fingir ser o que não era, ter o que não tinha. Fingir acreditar que o olhar era pra ele e que seu sorriso um dia causou efeito em alguém.

sábado, 29 de outubro de 2011

A idade do céu

"Não somos mais
Que uma gota de luz
Uma estrela que cai
Uma fagulha tão só
Na idade do céu...

Não somos o
Que queríamos ser
Somos um breve pulsar
Em um silêncio antigo
Com a idade do céu...

Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu...

Não somos mais
Que um punhado de mar
Uma piada de Deus
Um capricho do sol
No jardim do céu...

Não damos pé
Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang
Somos um grão de sal
No mar do céu..."

Paulinho Moska

domingo, 16 de outubro de 2011

Indiferença que sempre esteve ao meu lado, me olha do alto agora, de queixo pra cima como se nada fosse. A indiferença que reaperece depois de tanto tempo e eu olho, pensando, 'ainda está viva'

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Eu olho e ainda sei... Que nao estou enganado, que gostaria de provar que o que bate é bom.

Sei que vai... e ficaremos assim, inacabados, como tudo que importa.

Os finais são realmente chatos, por isso mantenho o livro aberto e não me atreverei a ler a última página.

Escrevá o que quiser e guiarão sua mão de um jeito ou de outro. Porém, aqui dentro, na caixa escura e passada, onde tudo fez sentido por alguns instantes, permanecerá aberto o livro dos cegos, que só existe na cabeça, nos sonhos, na idealização da vontade...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

As coisas são assim mesmo :/

sábado, 24 de setembro de 2011

"E foi quando percebeu que não suportava mais olhar na cara daquele homem. Se apressou em sair sem dizer nada. Quando tudo mudou? Foi aí que o homem correu, correu sem saber pra onde... correu até não aguentar mais. Os faróis já estavam longe de seu alcançe e só o que restou foi sentar no meio fio e chorar, dividindo as lágrimas com as gotas que caíam do céu"

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

"Do mesmo modo como a natureza declara agora o outono, também dentro e em volta de mim o outono se manifesta. As minhas folhas amarelecem, e as folhas das árvores vizinhas já caíram."

Werther - Goethe

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Visões de Cody

"...(na verdade entendendo numa miríade de pensamentos rápidos tudo o que eu sinto enquanto a casa se ergue à minha frente e ativa tudo ao redor dela, no bolso da camisa os caderninhos se batendo), avançando pouco a pouco até bater na porta que vai ser exatamente como naquelas tardes de verão quando eu fingia que tava morrendo de sede no deserto mas um árabe hospitaleiro me levava até a tenda dele e colocava um copo de água gelada na minha frente , mas dizia 'você só poderá beber se a sua fortaleza e os seus homens se renderem, e terão que se render de joelhos, implorando' e eu aceito, curvo a cabeça numa grande agonia heróica mas vendo o copo, as gotinhas na borda enfumaçada, o gelo estalando, e me avançando em direção a ele, pondo a borda devagar nos lábios, a bebida proibida, o momento exato do primeiro gole e de apreciar a água pura e simples, nossa, uau, você sabe como é, e é assim que eu vou bater na sua porta que não é uma porta qualquer."

Trecho da carta de Jack Kerouac a Neal Cassady - Visões de Cody

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

...

Dormir e acordar. Perceber que tudo não passou de um sonho ruim. No ápice da alegria, puxo meu próprio tapete e caio em câmera lenta. Quando todos os passos são errados, é preciso parar. Parar e observar, torcendo pra que o vislumbramento não a machuque também. Cansado de fazer mal. Chatear é horrivel, ainda mais quando se trata da pessoa que mais queremos bem.
Vergonha de tudo, arrependimento. Os sonhos vividos parecem muito longe agora. Tudo guardado em gavetas, correntes que garantem a segurança da memória. Os melhores dias, a melhor companhia, as melhores risadas. Como quem joga sal no suco mais doce, estraguei a festa.
Agora sim, sabem o que eu vejo no espelho. Tudo volta a ser como era e eu sigo em frente, pra qualquer lugar. Nunca esquecer, nunca deixar de sorrir ao lembrar. A melhor pessoa, decepcionada. Queria fazer bem, dar tudo o que merece, ajudar no que posso. Mas quando arranca os cabelos e perde a paciência com as babaquices de um babaca, precisa de espaço. Espaço pra achar o que falta, pra voltar a sorrir como em tantas outras vezes, vezes que vivi e que guardo no lugar mais aquecido de uma cabeça gelada e deturpada pelas proprias construções equivocadas.

Não conseguiria pedir mais nada. Vergonha

domingo, 18 de setembro de 2011

"A vovó fechou a porta" me diz com lábios trêmulos. Sempre o tom de surpresa. Lágrimas inocentes que insistem em cair por nada, por nada. Uma criança, veio até meu colo e me pediu qualquer coisa, me contou o que havia almoçado como quem conta que descobriu um meteoro no quintal do vizinho.
Me sinto assim as vezes, uma criança mimada que só quer chamar atenção. Não sou mais criança. Recuso toda atitude mesquinha que trago dentro de mim. Transformação. É uma ferramenta importante na minha construção. Por vezes esqueci de tudo e olhei você, só olhei. Mas aprendi com pedras na cabeça, pedras que eu mesmo joguei pro alto, não posso ser assim. Atitudes estúpidas de uma criança. Agradeço por cada palavra que destinou a mim. E, se ainda couber algum pedido, peço que me desculpe por todas as vezes que vi meteoros no quintal alheio, quando nao passavam de grãos de areia.
Não sei se ainda vale alguma coisa, mas te peço que me perdoe.

Obrigado, obrigado, obrigado

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

...esticou a mão e não achou nada. Sozinho no espaço, tentava se guiar pela estrela mais brilhante. Como em um sonho ouvia tudo ao longe, mesmo sabendo que o som não se propaga no espaço. Ouvia tudo à distância, como um admirador da vida. Na verdade sempre sentiu-se assim. O observador de uma vida na qual nunca se enquadrou. Mantinha-se constantemente em estado de letargia, alheio as coisas que ocorriam a sua volta. Ouvia e via o que achou ter vivido. Entorpecido.
A observou ganhar distância, com um sorriso imenso no rosto. 'É o que importa' pensou, o sorriso estampado no rosto. Não no dele, mas mesmo assim...
Desistiu de achar a mão que o guiava e a colocou no bolso. Seguiu assim, com as mãos no bolso no espaço. Ouvindo sons que não existem e relembrando imagens que parecem muito velhas agora. Vagando no espaço...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Pedaços pelo chão
do que fui um dia
apropriações do que um dia serei
pego, solto, deixo e busco

constante germinação
morrer e acordar
"um cadáver adiado"
que a cada suspiro envelhece o caminho

Por não ser eterno
aprendi a escrever
e espalhar por todos os cantos
o que penso saber

Até um dia perceber
que de nada vale a ousadia
que nao sei nada sobre a vida,
a morte, a rima

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Como exigir que me aguentem se nem eu mesmo consigo? Uma bigorna. Um peso pro mundo. Cedo ou tarde, as coisas se vão e só sobra isso.
Marx errou. A história se repete sim! Por toda minha vida...

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O que nos resta é a palavra. Sobre o que achamos ver nos bosques ensolarados, o que nos vem à cabeça como um raio e o que determina uma boa parte das nossas impressões. As palavras.
Sobre tudo o que ja foi dito, choro, riso, os melhores momentos da vida revividos todos os dias.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Sonhos vivos assustam.
Chuva. Choro. "Preciso te contar uma coisa".
"Me conta depois, preciso ir"
Chuva. Tempestade. Lágrima.
Luz de freio se perde em meio ao nevoeiro.
Meio fio. Tênis ensopado. "Me conta depois, preciso ir". E vai.

Quente. Carro.
"Feio, pobre, burro". Resumo.
"É isso que é, e tem que se contentar"
Risada. Choro. Grito.



Carro quente. Música. Nunca ouviu os gritos. Talvez as risadas, mas não a minha.

sábado, 20 de agosto de 2011

Quando foi que aconteceu? Fogos de artifício ainda colorem o céu, fazendo iluminar a existência de todas as pessoas sofridas, que tapam os olhos e insistem em não ver.
Deu significado as palavras, voz aos lábios e sabor a música. Troco a valsa pelo silêncio dos olhos que não sabem o que dizer, mas que mesmo assim gritam a verdade na cara da mundo. Um imã que puxa enquanto a mola empurra pra longe. Medo.
Faça o que te deixa feliz, passe por cima de tudo fazendo o que sempre diz. Sorria com os olhos que o mundo te deu, e à quem um dia trouxer decepcão, sorria mais ainda. Um vulcão que explode alegria ao juntar botões não pode adormecer justamente quando reúne visitantes que fotografam o rio de lava, imponente.
A pista está sendo limpa e o seu vôo está sendo preparado. Que chova pedra e que suma o arco iris. O pouso ainda será suave na terra de ninguém e poderá conversar com joaninhas, ou com o que quiser.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Pescoço duro. Ancorado. Me dá todas as pistas e eu finjo não ver. Muito burro...

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

And just cause he's had a couple cans he thinks it's alright to act like a dickhead
...

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Engulo as palavras quando sei que serão jogadas ao vento, só. Algumas coisas eu não escolho, mas se pudesse, escolheria exatamente isso...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Um problema com pernas que andam em círculos. Evita os espelhos e sorri timidamente sem saber pra onde olhar. Talvez um dia alguem aceite... desse jeito mesmo. Nããão, acho que não. Talvez um dia se aceite, tomara. Se esconde atrás de filmes e músicas que sempre trazem um desfecho. Borboletas no estômago DEVEM significar alguma coisa, nao fosse assim, não duraria tanto. Sabe que nao está enganado, mas mesmo assim engole as palavras e disfarça um olhar envergonhado... dançando as valsas sozinho, quando o par ideal está logo a sua frente, de mãos dadas com o acaso.
"... porque as memórias quando ficam velhas elas são como o vinho mais sofisticado, até que se você encontrar uma memória velha mesmo, de infância, não uma degustada com frequência mas uma memória novinha em folha!, ela vai ter um sabor melhor que o do conhaque Napoleão em que o próprio Stendhal deve ter posto os olhos ... enquanto fazia a barba diante daqueles canhões napoleônicos..."

Jack Kerouac - As visões de Cody

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A profecia se realiza...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Te olho de longe e é perfeita. Inteligente, bonita, engraçada, sagaz... Te vejo sorrindo e não escuto sua voz. Seus olhos acompanham a risada e reverenciam o interlocutor. É perfeita assim. Pra quê me aproximar? Posso talvez descobrir que não é tão legal quanto imaginava, que é chata de vez em quando e que se irrita com facilidade. Por quê mexer no que é platonicamente delicioso e cabe exatamente no meu sonho? Pensando com os meus botões...
Isso é super filosofia, preguiça. É confortavél continuar assim e poderia evitar me relacionar com todo e qualquer ser humano. Talvez fosse melhor, viveria plenamente feliz com a idéia que criasse a respeito de tudo. Todos são perfeitos vistos de longe... pff, não é isso que eu quero.
Idiossincrasias. Quero o que lhe é peculiar, seus defeitos e medos. Suas ambições que te tornam você. Quero o feio, o chato, o insuportável. Se não fosse assim, me satisfaria com alguma personagem de Jane Austen. Dormiria todas as noites abraçado com a idéia que crio sobre uma coisa intocável. Pessoas têm medo. Medo da verdade, medo do difícil, do inesperado...
Te olho de longe e é perfeita. Te olham de longe e é perfeita. Qualquer um que enxergue chega a essa conclusão. Me aproximo e te vejo de perto, avistando cada contorno que lhe foi reservado, cada traço que te diferencia da multidão de pessoas perfeitas. Não quero perfeição, quero o real, o que a torna humana e única. Dê-me as indiossincrasias que são invisíveis a todos que lhe sorriem de longe.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Difícil escrever com as mãos trêmulas, o cérebro embriagado de alguma coisa inominável e o corpo dormente. Tenta-se explicar o que não tem explicação, racionalizar o insano e planejar o invisível. Quando a felicidade atinge níveis inimagináveis o cadarço vira confete e a pedra vira chiclete.
Sair sem dar adeus, voltar e ver o tempo parar. Na terra do nunca, sempre é cedo pra fazer o que se deseja. A sinceridade estatela rostos no chão que não se cansam de ser surpreendidos. Tudo de qualquer jeito, tudo do melhor jeito. Tudo é estranho e somos tudo. O que nos é reservado nos aguarda entre sorrisos, sempre entre sorrisos.
Pra onde quer que vá, é onde tem que ir. E é na dificuldade em exprimir através das palavras que continuamos... sinceramente, profundamente e deliciosamente nós mesmos.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Nessas horas eu vejo o quanto gosto. Medo de desgastar a situação e fazer com que se afaste. Medo de ficar amargo.
=/

terça-feira, 12 de julho de 2011

Não cabe no metro quadrado que lhe foi reservado. Gritaria demais, inveja demais. Não se encaixa entre as pessoas que sempre estiveram ali. Demorou um tempo mas percebeu.
Traça um caminho novo só pra ver no que dá. Risca de giz alguma coisa desconhecida e torce pra que a chuva não caia, apagando tudo que construiu. Segue de olhos vendados e usa como guia mãos invisiveis que apontam diversas direções ao mesmo tempo. Novos ares o carregam sabe-se lá pra onde e tudo está bem.
Sente o corpo tremer e a garganta berrar enquanto o silêncio toma conta do cômodo. Pele que se rasga, revelando um ser inexistente no mundo real.
Tudo está bem e as fotografias registrarão só o que vale a pena.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Queria acompanhar a dança desritimada, a valsa silenciosa. Pular a amarelinha em busca do caroço de pêssego no fim da brincadeira. Guiar os pés pesados pra onde bem entender e continuar assim. Queria poder te seguir sem me perder na névoa que confunde o tempo todo. Ouvir a voz que insiste em ficar calada, se escondendo atrás dos acordes do violão, mesmo sabendo que alcança lugares inalcansáveis. Papéis, desenhos e letras espalhadas pela mesa. Tudo o que resta cabe dentro da mochila. Assim sendo, sei que nunca a tirarei das costas. Levo comigo aquilo que gosto, pois o que nao agrada se perdeu em algum lugar distante, longe de voce e de mim, longe do meu interesse.
Dedos apontados pro meu nariz me chamam de burro e estúpido, mas eu nao ligo. Sigo o ritmo dos sonhos que, depois de um tempo, são a unica coisa que sobrou. Te quero perto o suficiente pra enxergar os olhos, longe o suficiente pra sentir saudade e bem o suficiente pra fazer o que bem entender. Andar descalço no meio das pedras nunca foi tão confortavel. Uma montanha alta que nunca revelará o pico, nao importa o quanto suba. Solto o balão recheado de imagens e memórias na esperança de te alcançar. Só quero notícias suas.
O sorriso mais bonito, o melhor abraço do mundo. As piores coçegas e a pessoa que mais me faz bem. Pois é, existe.
Te amo muito.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Me disseram que na hora eu saberei e... adivinha só? eu sei!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

E se Schopenhauer fosse analfabeto, Goethe nao inventasse Werther e eu nao existisse? Saber que é errado é ainda mais doloroso, ainda mais quando vemos a explicação, como em um organograma, explícita em nossa cara e debochando de nossa ignorância. Alugar dois lugares no refeitório, talvez seja esse o segredo. Viver como um porco espinho, longe o suficiente para não causar dor ou ser espetado. Mas se até um velho editor de livros se deixou levar... como posso querer viver a margem da ilusão que torna os homens, homens.
Toda a estupidez prolongada e revivida. Me mostrem uma saída de incêndio, um livro infinito ou a escuridão da noite. Sinto tudo e nada, o vivo e o morto no mundo imaginário. Como se me fosse dada uma vida, em troca de um aluguel que eu não tenho condições de pagar. Acho que sempre serei assim, pobre o suficiente, feio o suficiente e burro o suficiente... o suficiente para continuar escrevendo errado e roubando frases. O suficiente pra me perder em livros e histórias dos outros, porque pra falar a verdade, a minha nunca foi muito interessante. Quando os espelhos são cobertos por lençois empoeirados, é hora de encarar a verdade. Quando os astros te querem longe, é melhor tentar escutar, mesmo que os sons sejam tão altos a ponto de silenciar a razão, escuta...
Pedaços de nada espalhados em tudo; sombras que te perseguem a noite pra qualquer lugar. Passo muito tempo comigo mesmo e já estou enjoado de mim. Pensando bem, descobri o motivo do repúdio e afastamento. A velha história do porco espinho. Queria que o velho alemão nunca tivesse existido. Não vou a lugar nenhum e quero continuar assim. Não quero entender nada, nem o mundo, nem a mim. Quero alguma coisa gelada que me leve a lugares em que estive antes.
Quero seu peso em sonhos, seu riso em confetes e sua espontaneidade em qualquer coisa. Me dê tudo que tiver. Transforme choro em lantejoula e borboletas em bolhas de sabão. Grite como sempre fez e corra através dos carros. Absorto em pensamentos, me vi com o olhar fixo no chão. O gigante de ferro freou a minha frente e alguem desceu. Ao passar, tomei o maior cuidado para não resvalar meu nariz no rosto do alguem até então inexistente... Olhei pra trás e encontrei um par de olhos que me observava. Como alguem pode me olhar? depois de tudo o que passei, não acreditei que o olhar me convidava, mesmo após transformar em vermelho o que antes era uma mar de leite, plano e profundo. Arco nos cabelos, tênis sujo nos pés. E o braço esticado para chamar atenção de algum motorista.
Tenho olhado por aí, procurado me encontrar, mas pra onde olho só vejo auto frustração e desperdício de qualquer coisa. Analfabetismo funcional frente a letras que se embaralham. Não entendo a aula, não leio mais as línguas vernáculas. Sinto que os anos passarão e continuarei aqui, enquanto todos encontram seu espaço. Vita Activa... labor, trabalho e ação... ZZZzzzzzZZzzz... "Eterno x imortalidade", essa parte eu entendi! Andar em linha reta em um universo imortal onde tudo gira em torno de ciclos... espera, de ciclos eu entendo... que venha a prova!!
Talvez seja assim mesmo. Talvez eu tenha descoberto o motivo do encontro. Talvez agora eu saiba quem eu sou e qual é o meu lugar, obrigado.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Enfim, com um sorriso nos lábios, disse:

- Pegue, acho que nao precisarei da 'soma' por um bom tempo.

...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

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"Ela não queria confessar a ele que ainda gostava dessas pessoas que pareciam gostar dela. Ele tocou em sua bochecha, fez um carinho. O coração dela batia tão depressa que ele conseguia ouvir. Ele afastou os cabelos dela, o toque de seus dedos transmitia a ela ondas de confiança, ia beijá-la, era o que ela queria. Então por que sentia que estava num precipício, pronta para cair?
Os lábios dele tocaram os dela e ela parou de pensar. Só sentia. Sentia a doçura de seu beijo, a força de seus braços e o coração batendo em sua mão... Havia um precipício e ela estava caindo, de cabeça..."

domingo, 5 de junho de 2011

Te vejo tremer interiormente enquanto as paredes do quarto explodem bem na nossa frente. Toda a calmaria é substituída pela tormenta repentina que inverte os sentidos do mundo. Um pé no chão, o outro voando. Conflito interno, exteriorizado. Fica assim.
Cuspir palavras ao vento e esperar que a brisa o carregue pra longe. Os pensamentos não são imunes a lei da gravidade e continuamos aqui, o tempo que quiser, o tempo necessário. Sonhar acordada. Acordar sonhando. Vejo tudo e tento seguir, colocando os pés pra trabalhar e pensando em alguma solução razoável. Não tenho asas.
A catarse em pessoa. Não achei que fosse possivel. Escolher um caminho que, inevitavelmente, consideravelmente, levará ao mesmo destino. É assim que fico e é assim que quero ficar. Olhar tudo e fotografar com a retina, armazenar na memória e te olhar contando qualquer coisa enquanto se afasta. Os braços esticam-se ao máximo... subir...
Faço um binóculo improvisado com as mãos pra nao te perder de vista. A distância ilude a visão, mas não me engano. Do alto, continuo sabendo qual é a estrela que insiste em brilhar.

terça-feira, 31 de maio de 2011

De repente, em meio a escuridão que tomava conta do cômodo, tudo se tornou claro. Como quando seus olhos se adaptam à ausência de luz, tudo se tornou nítido em poucos segundos. As coisas são como devem ser e tudo se encaixa aos poucos, um quebra cabeças torto de peças gastas e preguiçosas.
Quatro mãos juntas abrem o caminho e guiam rumo a becos inexplorados. A excitação é latejante e engolimos palavras que destruiriam os tímpanos. Não mais incômodos, não mais. Pulando de flor em flor estamos por aí, juntos do jeito certo porque, no fim das contas, o 'se' só serve pra chatear.
Então, na escuridão que torna contornos nítidos, vi você. E é assim, sem nunca esquecer os traços do que você é, que ficaremos a sorrir.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Tudo em seu devido lugar. A felicidade bem na minha frente enquanto eu olhava para os lados, procurando-a desesperadamente. De um jeito inesperado, tudo o que eu queria, das mãos que eu já sabia... me levariam pra passear no fim da tarde.

domingo, 8 de maio de 2011

Amanhã, e amanhã, e ainda outro amanhã arrastam-se nessa passada trivial do dia para a noite, da noite para o dia, até a última sílaba do registro dos tempos. E todos os nossos ontens não fizeram mais que iluminar para os tolos o caminho que leva ao pó da morte. Apaga-te, apaga-te, chama breve! A vida é apenas uma sombra ambulante, um pobre palhaço que por uma hora se espavona e se agita no palco, sem que depois seja ouvido; é uma história contada por idiotas, cheia de fúria e muito barulho, que nada significa.

Macbeth, Ato 5, Cena 5, linhas 22-31

quarta-feira, 4 de maio de 2011

- Pára. Acorda!! Vamos!

...

- Levanta, agora!

Mas ele continuava sem ouvir a voz da razão.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Encontrei o que precisava, achei o que guardava dentro de você. Todos os dias o que eu quero, onde eu deveria buscar. As confusões descomplicadas, os problemas resolvidos. Quando acordei pro mundo real, me deixei levar pelos devaneios. Tudo em seu lugar. Obrigado, obrigado...

domingo, 1 de maio de 2011

Quando o bom não é suficiente, quando todos os esforços são em vão, nada muda. Continuamos aqui, como sementes no algodão de crianças sonhadoras, como quem ouve os gritos e finge ouvir sussuros. Observamos caretas e enxergamos sorrisos. Todas as mãos dadas. Dedos podres entrelaçados, dedos que apontam todas as direções. Quando o mundo colore de preto o arco iris, olhamos pra baixo pra ver se ainda achamos um resquício do reflexo do sol. Depois de tanto tempo ainda me surprrendo comigo mesmo.
Esperta demais, complicada demais, especial demais. No mundo das idéias sempre serei suficiente pra mim mesmo, mesmo que no mundo real me suporte apenas por alguns minutos. Sonhar e não acordar mais.
Esperamos ansiosamente sabe-se lá pelo que. Deixo o vento refrescar a nuca e a música me levar para todas as direções. Pelo menos ali, tudo já foi perfeito um dia. Tudo está bem.

sábado, 23 de abril de 2011

"Ela ainda à cama, tranquila, improvisada. Ela amava... Estava previamente a amar o homem que um dia ela ia amar. Quem sabe lá, isso às vezes acontecia, e sem culpas nem danos para nenhum dos dois. Na cama a pensar, a pensar, quase a rir como a uma bisbilhotice. A pensar, a pensar. O quê? ora, lá ela sabia. Assim deixou-se a ficar."

Clarice Lispector - Laços de Família

terça-feira, 12 de abril de 2011

Talvez não goste de mim, me ache um grande coco que anda por aí. É, deve ser isso. Voce me disse uma vez que era isso, lembra? 'ela nao ta nem aí pra voce'. É deve ser isso. Talvez nao se importe com a minha presença, queira se ver livre de mim assim que chego, só é muito educada pra dizer isso. Não vai me machucar. Aliás, vai sim, mas quem liga?Foda-se. Queria a verdade.
Acho que nunca signifiquei nada pra ninguem no fim das contas. Sorrisos convidativos são dados a muitas pessoas, nao tenho o direito de me sentir especial. Caí nas minhas próprias ilusões e me alimentei delas. Voce me avisou, é eu sei. Acho que sou teimoso demais pra reconhecer que estava certo desde o início. Tudo bem, TUUUUUUUUUUUUUUUDO bem. Se não agora, daqui um tempo. Quem se importa? Dane-se
E Alvares de Azevedo nunca pareceu tão perto.
Não saber onde está, não sentir como é. Seguir sem olhar pra trás, sabendo que se encontra riscando minhas costas. Olhar e não ver, ouvir sem saber. Dizer tudo sem ter nada. Preferiu assim.
"todas as vezes que falta luz o infinito nos salta aos olhos"

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Todos os lugares ocupados por pessoas inexistentes. O infinito se tornou insuficiente e somos sufocados pelo ar mais puro. Não perca seu tempo, nao perderia meu tempo. Todos os dias vou aos mesmos lugares sem sair da cama que depois de tanto tempo não traz mais conforto. Todas as noites imagens dispersas não vão embora. Lacuna.
Pegue o que deixou e volte quando quiser. As cores são as mesmas e o mundo que foi apresentado ainda existe. Toda a felicidade reduzida a fração de um pedaço de papel. Acho que é o bastante.
"Imaginai uma grande folha de papel na qual Linhas Retas, Triângulos, Quadrados, Pentágonos, Hexágonos e outras figuras, em vez de se manter fixas em seus lugares, movimentam-se livremente na superfície, sem o poder se elevar-se acima dela ou de mergulhar sob ela, muito semelhantes a sombras - só que duras e dotadas de bordas luminosas -, e tereis uma noção bastante correta de minha terra e meus conterrâneos."

(Edwin Abbott - Terra Plana)

quinta-feira, 31 de março de 2011

alegria, alegria! de quem um dia te fez sorrir. E te acordou para o mundo real, de sonhos. Que atentou para o fato de que o quarto nunca acaba na parede branca e o espelho pode mostrar aquilo que voce quer. Por todo esforço e suor de hoje, que se transformarão em alegria e dentes à mostra amanhã.
Por todos os dias a partir de um, que mudou o sentido de felicidade pra sempre.
muuuuuuuuuuuito bem agora :)
mesmo!

segunda-feira, 28 de março de 2011

"A velha dedicatória nunca pareceu tão nova"

terça-feira, 22 de março de 2011

Você! que parece fotografia de um velho filme francês, que dança conforme o ritmos dos astros. Você que me ensina como rir das coisas e que me mostra que preto no branco nem sempre resulta em cinzas.
Você! que tem destino nas mãos, tempo na cabeça e sonhos na vida real. Quem me afasta do mal, sem nem saber. Quem atrai como imã sem nem mesmo querer.
Você! que alcança a raíz dos outros e mais dificil ainda, mergulha em si sem prender a respiração. Se questiona sobre tudo na própria contradicao da indagação. Quer tudo ao mesmo tempo, e tem tudo em seu tempo...
Quem me faz ver estrelas através das nuvens, flores no chão mais seco e música no silêncio do vácuo. Entre todas as outras, é você.

domingo, 20 de março de 2011

Caixa branca com infinitas possibilidades me levam a escrever sobre qualquer coisa. Cuspo palavras soltas que não fazem sentido e um texto distorcido ganha forma. Penso em tudo e em todos. Minha mente limitada não enxerga um horizonte e eu sei que poderia escrever sobre qualquer coisa.
Vejo todas as cores e todas as formas. Pulo, grito, durmo e corro sem sair do lugar. Beijo a testa de inúmeras pessoas sem sentir gosto nenhum.
O universo gira ao meu redor e me deixa tonto. A vertigem me pega de jeito e me entrego sem cerimônia. Tudo é bom, sempre foi. Por um segundo tudo gira ao meu redor e nao existem mais problemas. Não, existem sim. Mas nunca foi tão fácil encará-los de frente com um sorriso no rosto e força nas pernas. Me aproprio de tudo que quero.
Dentre infiinitas possibilidades em um mundo que nunca foi tão encantador, escrevo sobre você.

domingo, 13 de março de 2011

Caliban

"Então, em sonhos, acreditava ver as nuvens se abrirem e mostrarem riquezas prontas a caírem sobre mim, tão reais que quando acordei, chorei para sonhar novamente..."

Caliban - The tempest - Shakespeare
"Noel passou todo o dia a desejar esta hora. Agora os dois estão sentados na escada, o luar clareia a rua, d. Eudóxia se balança lá dentro na sua cadeira, o corredor está envolto numa doce penumbra. Como fernanda fica bonita assim na meia-luz, como os seus olhos brilham, como se emana dela um calor que dá confiança, vontade de ficar - ficar para sempre... Se tivesse coragem, ele lhe falaria com franqueza, diria tudo. Tomaria a mão dela, trazendo-a para bem juntinho de si, e ficariam depois os dois abraçados, sem necessidade de dizer mais nada. E o mundo passaria a ter uma significação nova, a vida lhe mostraria uma face diferente, a sua solidão se quebraria, ele teria sempre junto de si uma criatura que o compreendesse, uma criatura terna e ao mesmo tempo decidida e forte. Se ele tivesse coragem..."

(Érico Vesíssimo - Caminhos Cruzados)

terça-feira, 8 de março de 2011

!

Queria sumir sem deixar vestígios. Andar por aí sem precisar me explicar. Levar na mochila a lembranca das viagens de baloes e foguetes. Levaria o sorriso no bolso da frente, para olha-lo sempre que quisesse. Não quero sumir por você, é por mim. Sempre foi. Te disse que nao era coisa boa.
Nunca imaginei que alguem como voce pudesse existir. Não sei se quer que eu me afaste. Eu nao quero. É a unica coisa importante pra mim. Foda-se. Se me pedir isso, entenderei... Sei que nao o fará com palavras, mas conseguirei ler nos seus olhos, qualquer que seja a decisão.

...

Não me entendo. É incrível a minha capacidade de estragar as coisas. o sentimento mais puro me acomete, me joga pro alto, e com incrivel incompetência eu destruo tudo. Talvez seja inútil dizer que ainda gosto de você, que sempre vou gostar, e que o sentimento cresce a cada dia. Não sei se acredita em mim ainda.
Te cobro coisas que nao devo, espero coisas que nao posso, e fico chateado. Não deveria. Sempre foi a melhor pessoa pra mim e sempre vai ser, nao importa o que aconteca. Meu unico medo era te magoar, mas nao preciso mais pensar nisso, já que nada vai mudar o que eu fiz.
Te quero sempre perto, mas se nao quiser, vou entender. Só nao me peça pra esquecer. Desculpa, isso eu nao vou fazer.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Desculpa

Sei que sou estranho, sempre soube. Alguém que anda por aí e nao se encaixa. Acha tudo mágico, e sonha com coisas absurdas, acreditando que possam vir a ser tornar realidade. Algumas se tornam.
No meio de toda a confusão e caos gerados por nós mesmos, me encontrei. Voltei a notar o canto ensurdecedor de passaros inexistentes em árvores amareladas. No meio de toda a confusão, te encontrei. E, curisamente, me vi ali, bem na minha frente. Não somos iguais, ninguém é. Mas sei o que é pra mim. Só eu sei.
te vejo todos os dias, mesmo sem te ver. Ouço sua risada entrando pelos meus ouvidos, me fazendo rir também, mas estou sozinho no quarto. Não. Desde que apareceu não estou sozinho, e sei que nunca estarei.
Tenho medo de perder a força nos músculos da perna, já que não toco o chão a algum tempo. Não sei se tenho medo, na verdade. Quem sabe eu adquira asas e nao precise mais das pernas. Darwin concordaria. Mas, pra isso acontecer, demoraria muito. Não importa. Estou pouco me fodendo pro tempo, na verdade. Ele é insignificante quando estou com voce. E de um jeito ou de outro, estou sempre com você.
Espero voltar a postar aqui. E retomar a terapia que um dia já me ajudou...

léxico

Crio todas as barreiras imaginadas e visto meu colete a prova de balas. Termino de cimentar o muro antes de sair de casa. Vou em direção a qualquer lugar, sabendo o que vou encontrar. Sigo em frente com um sorriso no rosto, convicente até, e as mãos nos bolsos de um casaco sujo e velho. Tudo certo, até agora. Tudo dentro do previsto.
O toque me faz estremecer e traz o sentimento adormecido e esquecido temporariamente. É bom até, me faz sentir bem, por hora. Uma torrente de sentimentos me pega de jeito sem anúncio e me joga pra todos os lado.TODOS. Está feito. Expectativas serão criadas sobre um caso sem solução de pessoas que simplesmente são o que são, nada mais. Não sei se gosto desse jogo involuntário, ou se fico relutante. Só sei que as noites são sempre iguais, e nunca do jeito que eu espero. Na verdade as coisas nunca foram do jeito que eu esperei. Acho que a vida é assim mesmo, foda-se.
Disco os números que me trarão a voz certa. Ligo pra dizer nada, sempre. As palavras ficam engasgadas e eu acabo engolindo junto com a saliva. Tenho medo de estragar tudo, sempre tive. O engraçado é que o medo nunca me impediu de transformar tudo em ruínas.
Eu gostaria de ficar preso no tempo, no nosso tempo. A única vez em que as coisas fizeram sentido pra mim. Tudo isso foi transformado em um passado longinquo e nostalgico, tão real quanto o mundo de dorothy ou do coelho branco. Não sei se queria viver alguma coisa parecida com aquela. Pelo menos tudo terminou antes que eu pudesse cagar em cima. Menos mal, uma culpa a menos pra carregar no lombo que, sinceramente, já está dolorido.

domingo, 6 de março de 2011

FODA-SE

De repente a gente percebe, sem mais nem menos. Percebemos que nada é o que parece, que os sonhos são só sonhos e pessoas, só pessoas. Todas iguais. TODAS.
Como quando se esta em queda livre e a sensaçao é tão aconchegante que chega a adormecer todas as extremidades. É a melhor sensação do mundo, até percebermos que estamos sem o pára quedas e que um chão de pedras e merda nos espera lá embaixo. Nunca saltei de um avião, com ou sem páraquedas, nem tenho vontade.
A única vontade que eu tinha foi entulhada por uma tonelada de realidade e mais um pouco. As pessoas são iguais, enfim. É sempre assim, mergulhamos rumo ao infinito de águas coloridas e não percebemos o buraco negro que nos espera depois da porra do arco iris.
Sei que remoerei toda essa merda na minha cabeça e que a sensação voltará. Não quero que aconteça, principalmente quando sei que estou sozinho. Palavras ao vento somem como fumaça quando a realidade cola labios já conhecidos. Eu sou o estranho. Eu. Devia saber disso. Sempre serei. Como Lionel que está prestes a se afogar nos próprios pulmões, respiro fundo pela última vez, antes do ultimo mergulho. Porém, diferente de Diane, voce nao estará aqui pra assistir, ou despedir-se.