quinta-feira, 23 de junho de 2011

E se Schopenhauer fosse analfabeto, Goethe nao inventasse Werther e eu nao existisse? Saber que é errado é ainda mais doloroso, ainda mais quando vemos a explicação, como em um organograma, explícita em nossa cara e debochando de nossa ignorância. Alugar dois lugares no refeitório, talvez seja esse o segredo. Viver como um porco espinho, longe o suficiente para não causar dor ou ser espetado. Mas se até um velho editor de livros se deixou levar... como posso querer viver a margem da ilusão que torna os homens, homens.
Toda a estupidez prolongada e revivida. Me mostrem uma saída de incêndio, um livro infinito ou a escuridão da noite. Sinto tudo e nada, o vivo e o morto no mundo imaginário. Como se me fosse dada uma vida, em troca de um aluguel que eu não tenho condições de pagar. Acho que sempre serei assim, pobre o suficiente, feio o suficiente e burro o suficiente... o suficiente para continuar escrevendo errado e roubando frases. O suficiente pra me perder em livros e histórias dos outros, porque pra falar a verdade, a minha nunca foi muito interessante. Quando os espelhos são cobertos por lençois empoeirados, é hora de encarar a verdade. Quando os astros te querem longe, é melhor tentar escutar, mesmo que os sons sejam tão altos a ponto de silenciar a razão, escuta...
Pedaços de nada espalhados em tudo; sombras que te perseguem a noite pra qualquer lugar. Passo muito tempo comigo mesmo e já estou enjoado de mim. Pensando bem, descobri o motivo do repúdio e afastamento. A velha história do porco espinho. Queria que o velho alemão nunca tivesse existido. Não vou a lugar nenhum e quero continuar assim. Não quero entender nada, nem o mundo, nem a mim. Quero alguma coisa gelada que me leve a lugares em que estive antes.
Quero seu peso em sonhos, seu riso em confetes e sua espontaneidade em qualquer coisa. Me dê tudo que tiver. Transforme choro em lantejoula e borboletas em bolhas de sabão. Grite como sempre fez e corra através dos carros. Absorto em pensamentos, me vi com o olhar fixo no chão. O gigante de ferro freou a minha frente e alguem desceu. Ao passar, tomei o maior cuidado para não resvalar meu nariz no rosto do alguem até então inexistente... Olhei pra trás e encontrei um par de olhos que me observava. Como alguem pode me olhar? depois de tudo o que passei, não acreditei que o olhar me convidava, mesmo após transformar em vermelho o que antes era uma mar de leite, plano e profundo. Arco nos cabelos, tênis sujo nos pés. E o braço esticado para chamar atenção de algum motorista.
Tenho olhado por aí, procurado me encontrar, mas pra onde olho só vejo auto frustração e desperdício de qualquer coisa. Analfabetismo funcional frente a letras que se embaralham. Não entendo a aula, não leio mais as línguas vernáculas. Sinto que os anos passarão e continuarei aqui, enquanto todos encontram seu espaço. Vita Activa... labor, trabalho e ação... ZZZzzzzzZZzzz... "Eterno x imortalidade", essa parte eu entendi! Andar em linha reta em um universo imortal onde tudo gira em torno de ciclos... espera, de ciclos eu entendo... que venha a prova!!
Talvez seja assim mesmo. Talvez eu tenha descoberto o motivo do encontro. Talvez agora eu saiba quem eu sou e qual é o meu lugar, obrigado.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Enfim, com um sorriso nos lábios, disse:

- Pegue, acho que nao precisarei da 'soma' por um bom tempo.

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segunda-feira, 13 de junho de 2011

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"Ela não queria confessar a ele que ainda gostava dessas pessoas que pareciam gostar dela. Ele tocou em sua bochecha, fez um carinho. O coração dela batia tão depressa que ele conseguia ouvir. Ele afastou os cabelos dela, o toque de seus dedos transmitia a ela ondas de confiança, ia beijá-la, era o que ela queria. Então por que sentia que estava num precipício, pronta para cair?
Os lábios dele tocaram os dela e ela parou de pensar. Só sentia. Sentia a doçura de seu beijo, a força de seus braços e o coração batendo em sua mão... Havia um precipício e ela estava caindo, de cabeça..."

domingo, 5 de junho de 2011

Te vejo tremer interiormente enquanto as paredes do quarto explodem bem na nossa frente. Toda a calmaria é substituída pela tormenta repentina que inverte os sentidos do mundo. Um pé no chão, o outro voando. Conflito interno, exteriorizado. Fica assim.
Cuspir palavras ao vento e esperar que a brisa o carregue pra longe. Os pensamentos não são imunes a lei da gravidade e continuamos aqui, o tempo que quiser, o tempo necessário. Sonhar acordada. Acordar sonhando. Vejo tudo e tento seguir, colocando os pés pra trabalhar e pensando em alguma solução razoável. Não tenho asas.
A catarse em pessoa. Não achei que fosse possivel. Escolher um caminho que, inevitavelmente, consideravelmente, levará ao mesmo destino. É assim que fico e é assim que quero ficar. Olhar tudo e fotografar com a retina, armazenar na memória e te olhar contando qualquer coisa enquanto se afasta. Os braços esticam-se ao máximo... subir...
Faço um binóculo improvisado com as mãos pra nao te perder de vista. A distância ilude a visão, mas não me engano. Do alto, continuo sabendo qual é a estrela que insiste em brilhar.