E se Schopenhauer fosse analfabeto, Goethe nao inventasse Werther e eu nao existisse? Saber que é errado é ainda mais doloroso, ainda mais quando vemos a explicação, como em um organograma, explícita em nossa cara e debochando de nossa ignorância. Alugar dois lugares no refeitório, talvez seja esse o segredo. Viver como um porco espinho, longe o suficiente para não causar dor ou ser espetado. Mas se até um velho editor de livros se deixou levar... como posso querer viver a margem da ilusão que torna os homens, homens.
Toda a estupidez prolongada e revivida. Me mostrem uma saída de incêndio, um livro infinito ou a escuridão da noite. Sinto tudo e nada, o vivo e o morto no mundo imaginário. Como se me fosse dada uma vida, em troca de um aluguel que eu não tenho condições de pagar. Acho que sempre serei assim, pobre o suficiente, feio o suficiente e burro o suficiente... o suficiente para continuar escrevendo errado e roubando frases. O suficiente pra me perder em livros e histórias dos outros, porque pra falar a verdade, a minha nunca foi muito interessante. Quando os espelhos são cobertos por lençois empoeirados, é hora de encarar a verdade. Quando os astros te querem longe, é melhor tentar escutar, mesmo que os sons sejam tão altos a ponto de silenciar a razão, escuta...
Pedaços de nada espalhados em tudo; sombras que te perseguem a noite pra qualquer lugar. Passo muito tempo comigo mesmo e já estou enjoado de mim. Pensando bem, descobri o motivo do repúdio e afastamento. A velha história do porco espinho. Queria que o velho alemão nunca tivesse existido. Não vou a lugar nenhum e quero continuar assim. Não quero entender nada, nem o mundo, nem a mim. Quero alguma coisa gelada que me leve a lugares em que estive antes.
Quero seu peso em sonhos, seu riso em confetes e sua espontaneidade em qualquer coisa. Me dê tudo que tiver. Transforme choro em lantejoula e borboletas em bolhas de sabão. Grite como sempre fez e corra através dos carros. Absorto em pensamentos, me vi com o olhar fixo no chão. O gigante de ferro freou a minha frente e alguem desceu. Ao passar, tomei o maior cuidado para não resvalar meu nariz no rosto do alguem até então inexistente... Olhei pra trás e encontrei um par de olhos que me observava. Como alguem pode me olhar? depois de tudo o que passei, não acreditei que o olhar me convidava, mesmo após transformar em vermelho o que antes era uma mar de leite, plano e profundo. Arco nos cabelos, tênis sujo nos pés. E o braço esticado para chamar atenção de algum motorista.
Tenho olhado por aí, procurado me encontrar, mas pra onde olho só vejo auto frustração e desperdício de qualquer coisa. Analfabetismo funcional frente a letras que se embaralham. Não entendo a aula, não leio mais as línguas vernáculas. Sinto que os anos passarão e continuarei aqui, enquanto todos encontram seu espaço. Vita Activa... labor, trabalho e ação... ZZZzzzzzZZzzz... "Eterno x imortalidade", essa parte eu entendi! Andar em linha reta em um universo imortal onde tudo gira em torno de ciclos... espera, de ciclos eu entendo... que venha a prova!!
Talvez seja assim mesmo. Talvez eu tenha descoberto o motivo do encontro. Talvez agora eu saiba quem eu sou e qual é o meu lugar, obrigado.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
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