"Meus olhos têm telescópios
espiando a rua,
espiando minha alma
longe de mim mil metros.
Mulheres vão e vêm nadando
em rios invisíveis.
Automóveis como peixes cegos
compõem minhas visões mecânicas.
Há vinte anos não digo a palavra
que sempre espero de mim
Ficarei indefinidamente contemplando
meu retrato eu morto."
João Cabral de Melo Neto
Dedicado a minha melhor amiga e companheira; amor da vida toda e ótima escritora Giovanna Zô Pinhata.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Esconder-me atrás de uma história que legitime minha existência. Sustentar os argumentos que me convencem de que estou certo, 'isso, vai la, continue vivendo de forma deliciosamente preguiçosa e inventiva...'
Procurar em letras de outros a minha palavra. Ignorar o medo que acomete todo mundo, mantendo-os nos trilhos rumo a um destino certo. 'não sei o que faço com a minha vida' deixei escapar da minha boca certo dia... 'ué, mas é aí que tá a graça' respondeu um bom amigo, um amigo.
Como o palhaço sem identidade que procura se encontrar eu segui, como que anestesiado por tudo. Procurando me encontrar não achei nada. Mas me vi ali, no chão, preparado pra qualquer coisa. Decidi fazer da minha vida uma vida minha. Quando não se acha o que procura, cria-se o que quiser.
Procurar em letras de outros a minha palavra. Ignorar o medo que acomete todo mundo, mantendo-os nos trilhos rumo a um destino certo. 'não sei o que faço com a minha vida' deixei escapar da minha boca certo dia... 'ué, mas é aí que tá a graça' respondeu um bom amigo, um amigo.
Como o palhaço sem identidade que procura se encontrar eu segui, como que anestesiado por tudo. Procurando me encontrar não achei nada. Mas me vi ali, no chão, preparado pra qualquer coisa. Decidi fazer da minha vida uma vida minha. Quando não se acha o que procura, cria-se o que quiser.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
A dança dos copos
É o sorriso em qualquer rosto, a mão melada de doce. É a casca da manga, o sumo do nada; O abrir da janela, o primeiro traço no papel branco. O início de tudo, quando tudo não termina. É o soco na cara, a brisa no rosto, o café da noite interminável. É o sim, o não, palavras não ditas; é o ócio que supre as coisas da vida. É a linha do pipa, o nó na garganta; a saliva que escorre pouco antes da janta. É isso, aquilo, o que não foi salvo; o cadarço que solta, as mãos amarradas. É o livro aberto, que não foi escrito. O bloco que marcha rumo ao infinito. É um pouco de tudo que foi concebido, é a chuva, é chuva, o berro aflito. A cadeira com pernas, o chamar do apito. Minha vida com asas... eu acho que é isso. Você é pra mim, mais do que imagino; o ponto que conclui tudo que foi escrito.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Não consigo escrever, simples assim. Nunca consegui, na verdade, mas pelo menos os erros apareciam com evidência, gritavam a cada linha escorrida. Agora, nem isso. Quando mais quero falar, o silêncio.
Fingo que a felicidade me acompanha a cada passo. Sorriso amarelo o dia inteiro e uma pontada que me acerta a todo instante. Não há nada a ser dito. Queria poder ser o que sou, mas já não é possivel. Queria que tudo mudasse, menos uma coisa. Uma. Queria os mesmos braços, o mesmo cheiro e a risada conhecida. Não queria muito, só tudo que nunca me pertenceu. Todos esperam demais, desejam demais, eu também.
O sol ainda vem me visitar, mas sinceramente são raros os dias em que o atendo.
Uma guerra que me puxa, empurra e me faz em cacos, todos os dias. Sei que é impossível o que um dia foi óbvio. Sei que o copo continua sendo preenchido e o que havia nele escoa, descendo ralo abaixo rumo a algum lugar desconhecido. Me recuso a beber. "Estou satisfeito", foi o que ouviu o destino quando veio me oferecer mais um drink. Me desculpe, mas realmente estou satisfeito. Pelo que aconteceu e pela sua felicidade. Satisfeito pelo olhar de ansiedade, pela busca incansável de tudo que tem direito. Acho que sou feliz, mas tenho certeza que ja fui mais.
A vida te ergue enquanto tento não te perder de vista. Não considero minha dor especial não, mesmo. Porém é minha e tenho o direito de falar sobre isso.
Todos crescerão e se lembrarão de alguma coisa. Eu trocaria tudo que tenho pra poder ficar perto. Tudo que tenho pra não ter que me tornar uma lembrança. Porra como sou ridículo.
Eu só queria você, te olhar e acompanhar até em casa. Só isso.
Isso nem é um texto. Poderia ser um email, sei lá. Sou muito confuso
Fingo que a felicidade me acompanha a cada passo. Sorriso amarelo o dia inteiro e uma pontada que me acerta a todo instante. Não há nada a ser dito. Queria poder ser o que sou, mas já não é possivel. Queria que tudo mudasse, menos uma coisa. Uma. Queria os mesmos braços, o mesmo cheiro e a risada conhecida. Não queria muito, só tudo que nunca me pertenceu. Todos esperam demais, desejam demais, eu também.
O sol ainda vem me visitar, mas sinceramente são raros os dias em que o atendo.
Uma guerra que me puxa, empurra e me faz em cacos, todos os dias. Sei que é impossível o que um dia foi óbvio. Sei que o copo continua sendo preenchido e o que havia nele escoa, descendo ralo abaixo rumo a algum lugar desconhecido. Me recuso a beber. "Estou satisfeito", foi o que ouviu o destino quando veio me oferecer mais um drink. Me desculpe, mas realmente estou satisfeito. Pelo que aconteceu e pela sua felicidade. Satisfeito pelo olhar de ansiedade, pela busca incansável de tudo que tem direito. Acho que sou feliz, mas tenho certeza que ja fui mais.
A vida te ergue enquanto tento não te perder de vista. Não considero minha dor especial não, mesmo. Porém é minha e tenho o direito de falar sobre isso.
Todos crescerão e se lembrarão de alguma coisa. Eu trocaria tudo que tenho pra poder ficar perto. Tudo que tenho pra não ter que me tornar uma lembrança. Porra como sou ridículo.
Eu só queria você, te olhar e acompanhar até em casa. Só isso.
Isso nem é um texto. Poderia ser um email, sei lá. Sou muito confuso
Ah, criança. Como é bom te olhar correndo entre as árvores, me pedindo pra te achar enquanto se esconde atrás de galhos minúsculos. Absorver cada som que emite, cada risada... como é bom. As árvores continuam aqui, aí, estão em todos os lugares. Eu olho entre as árvores, te procuro entre cada galho. Todo jardim tem o som da sua voz que nunca silenciará. Não te vejo mais colhendo flores, embora saiba que ainda o faz por aí. Não ouço mais música ao fechar os olhos, não te vejo mais... medo.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Um desespero imenso que se livra das entranhas e sobe, impiedoso. Rosto suado, cabelos no chão. Uma vontade de berrar, de novo, quantas vezes forem necessárias. Medo de perder o que nunca tive, a felicidade que escorrega entre dedos esfolados. Medo que a memória não me escolha daqui algum tempo.
O egoísmo me fez estúpido, injusto, burro... Toda a tristeza vinda de fora se desmancha no ar quando consigo enxergar os olhos. Olhos que veem outra coisa, nuca que sente outra brisa. O mundo é lindo, mas... nao estou com você.
o sentimento aperta e transforma-se em suor, lágrimas, berro... Me perdoa, só queria poder fingir que é minha, como sempre fiz. Quando minha realidade não é mais sonho, os balões ficam amarrados a tocos no chão. Não quero mais voar.
O egoísmo me fez estúpido, injusto, burro... Toda a tristeza vinda de fora se desmancha no ar quando consigo enxergar os olhos. Olhos que veem outra coisa, nuca que sente outra brisa. O mundo é lindo, mas... nao estou com você.
o sentimento aperta e transforma-se em suor, lágrimas, berro... Me perdoa, só queria poder fingir que é minha, como sempre fiz. Quando minha realidade não é mais sonho, os balões ficam amarrados a tocos no chão. Não quero mais voar.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Não é sobre você. Sobre te satisfazer e ver sorrir o tempo todo. É claro que tem a ver com isso, enfim...
Não é o te ver crescer e conquistar tudo, sendo assim a pessoa mais feliz do mundo. Nunca se tratou de ver pássaros coloridos e apontá-los com dedos ansiosos, seus dedos. É um pouco mais simples que isso, sempre foi...
É sobre você. Sobre te satisfazer e ver sorrir o tempo todo; É te ver crescer e conquistar tudo e ser a pessoa mais feliz do mundo; é sobre apontar pássaros coloridos com dedos ansiosos, seus dedos; é sobre tudo isso... sobre tudo que me faz feliz. Não é sobre a sua felicidade apenas, é sobre a minha, que está em você. Sei que sou um pouco egoísta...
Não é o te ver crescer e conquistar tudo, sendo assim a pessoa mais feliz do mundo. Nunca se tratou de ver pássaros coloridos e apontá-los com dedos ansiosos, seus dedos. É um pouco mais simples que isso, sempre foi...
É sobre você. Sobre te satisfazer e ver sorrir o tempo todo; É te ver crescer e conquistar tudo e ser a pessoa mais feliz do mundo; é sobre apontar pássaros coloridos com dedos ansiosos, seus dedos; é sobre tudo isso... sobre tudo que me faz feliz. Não é sobre a sua felicidade apenas, é sobre a minha, que está em você. Sei que sou um pouco egoísta...
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Podíamos ser na superfície, o que somos no fundo. Viver de sonhos e agradecer todos os dias, apenas por conseguirmos alcançar os dedos. Podíamos mostrar o que nos é claro, sorrir de peito aberto e parar todos os relógios.
Justificar apenas o inexplicável e descancar em paz. Viver como reis dentro de uma caixa, ao passo em que o mundo se transforma do lado de fora.
Podíamos ser sinceros e viver como vivemos. Podíamos ser eu e você, exatamente como somos.
Justificar apenas o inexplicável e descancar em paz. Viver como reis dentro de uma caixa, ao passo em que o mundo se transforma do lado de fora.
Podíamos ser sinceros e viver como vivemos. Podíamos ser eu e você, exatamente como somos.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Depois de ler as linhas novamente, percebo que não entendo nada. O que escorreu foi um aviso, vários, na realidade. Um aviso do que viria, do que sentia e deixava de sentir... um alerta sobre o quão distante estava de mim e o quão insistente eu fui esse tempo todo. "A pedra" que descobriu no seu calcanhar, que finalmente expeliu, podendo caminhar sorridente agora, pelo caminho que decidir trilhar. A desculpa pede licensa a insistência que perturbou por tanto tempo. Se eu tivesse percebido antes não precisaria lidar com tudo isso...
Vozes que sabem demais, estudam demais, falam demais. Esconder-me na sombra de tudo que cospem e olhar de longe. Quero uma árvore pra descançar, uma brisa que me pegue de surpresa ou um sorriso conhecido que não me julgue. Tendo sempre que fazer alguma coisa, coisa que não quero, coisa que não fará a menor diferença daqui alguns minutos.
Apontado por cada dedo que me encontra no caminho, baixo a cabeça e me perco em pensamentos velhos, pouco menos que eu. "Fazia tanto sentido"... Mesmo que não mereca, procuro uma sombra que me guarde enquanto fecho meus olhos. Todos andando, ao passo em que ainda não encontrei razões para puxar meus cabelos.
E os olhos que sorriem me fazem continuar.
Apontado por cada dedo que me encontra no caminho, baixo a cabeça e me perco em pensamentos velhos, pouco menos que eu. "Fazia tanto sentido"... Mesmo que não mereca, procuro uma sombra que me guarde enquanto fecho meus olhos. Todos andando, ao passo em que ainda não encontrei razões para puxar meus cabelos.
E os olhos que sorriem me fazem continuar.
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