segunda-feira, 30 de abril de 2012
Entre portas fechadas e torneiras pingando, a vibração da luz acima da cabeca prestes a explodir sobre nós, entre idéias distorcidas e projeçoes dissimuladas, cheias de gozo e vontade e pontas de dedos dormentes... Feche os olhos, sonhe o melhor sonho e mergulhe profundamente no que quiser. Mar de linhas, emaranhado de palavras supra significativas e olhares que se cruzam. O beijo de boa noite todas as manhãs, uma caneca fumengante e a felicidade percorrendo cada pelo do corpo, escorrendo, como nunca imaginei.
Feche os olhos e enxergue pela primeira vez. Olhar pra dentro ignorando os raios iluminados que passam, rapidos demais, barulhentos demais, zumbindo e berrando ouvidos cansados, que ja não escutam mais nada. Sem fones de ouvido, sem maquiagem. Olhe pra dentro e veja tudo.
Escreva palavras de ordem entre seus passos e pinte nuvens de verde ou vermelho. Fazer do dia a sua página e correr até cansar. Fazer o que quiser, por mim, por você, por todos os amigos, queridos ou não... por tudo que quero ser, quero que seja assim, deliciosamente você, eu, nós, vós, empilhando tijolos todos os dias pra que o descansar entre lençois pareça merecido e os dedos cansados possam acariciar o outro e dizer que tudo terminará bem apenas pelo toque, como planejamos.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
O mundo - Eduardo Galeano
"Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir
aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida
humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.
— O mundo é isso — revelou —. Um montão de gente, um mar de
fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem
duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras
de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de
fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem
queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível
olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo."
Eduardo Galeano - O Livro dos Abraços
aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida
humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.
— O mundo é isso — revelou —. Um montão de gente, um mar de
fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem
duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras
de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de
fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem
queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível
olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo."
Eduardo Galeano - O Livro dos Abraços
sexta-feira, 13 de abril de 2012
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Não me disseram que seria assim. Os livros descreveram, tudo errado. No canto do quarto não ouvi os violinos de Paganini ou as notas tristes da Orquestra Imperial. Foi o silêncio. Silêncio que gritou seu nome, me fez tremer e sentir a bomba do peito explodindo categoricamente, rasgando cada centímetro de pele. As pernas pareciam fracas o dia inteiro e o rosto inchado me mostrava a última coisa que eu queria ver.
Dói. Ter que descer na estação e te ver pegar o próximo trem sozinha dói. Mudado de todos os jeitos possíveis, guardo as marcas de cada viagem que fizemos juntos. As melhores do mundo. Sento no banco do terminal e escrevo cada memória que passa pela minha cabeça, tenho medo que um dia o tempo leve a saúde e com ela o que me restou de você. Sento no banco e vejo tudo. Não é tão confortável como os bancos que dividimos, mas é o que me resta.
No quarto, na estação, em São Paulo, na minha cabeça... Ficou o que um dia foi o homem mais feliz do mundo.
Dói. Ter que descer na estação e te ver pegar o próximo trem sozinha dói. Mudado de todos os jeitos possíveis, guardo as marcas de cada viagem que fizemos juntos. As melhores do mundo. Sento no banco do terminal e escrevo cada memória que passa pela minha cabeça, tenho medo que um dia o tempo leve a saúde e com ela o que me restou de você. Sento no banco e vejo tudo. Não é tão confortável como os bancos que dividimos, mas é o que me resta.
No quarto, na estação, em São Paulo, na minha cabeça... Ficou o que um dia foi o homem mais feliz do mundo.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
"O meio em que vive diz muito sobre você", olhou carinhosamente e disse tais palavras como se fosse a pessoa mais sábia do mundo. Talvez eu queira fugir de tudo por ser um covarde. As pessoas sempre procuram o melhor ambiente para crescerem e desenvolverem sei la o que. "Esse lugar já não tem nada a oferecer..." será? e o que ofereceu? A grama do vizinho pode parecer mais verde e essa é uma desculpa ótima pra que queira trocar meu gramado. Sou podre e tosco como a grande maioria das pessoas que anda por aí. Olhar pra praça e xingar em pensamento, um ótimo exercício que me distancia cada vez mais de onde estou e, por que nao, do que sou.
Viver amaldiçoando cada metro quadrado de onde cresci não vai me levar a outros lugares... Certa vez me mudei. Passei alguns anos na França e experimentei muitos croissants pela manhã... um sonho. Certa vez me mudei. Mudei-me para perceber que o problema sou eu e nao o lugar onde os pés estão plantados. É difícil encarar os próprios problemas, muito mais fácil opinar na vida dos outros. Acho que por isso sempre desviei o furacão que tormenta minha alma. Culpar a falta de educação do vizinho da frente é muito melhor do que encarar-me de frente no espelho, afinal.
Como sempre, não faço idéia do que estou falando. Esperando o sorriso educado e as mesmas palavras retiro-me para o quarto e fico um pouco comigo, pode até fazer mal, mas é tudo que tenho.
Viver amaldiçoando cada metro quadrado de onde cresci não vai me levar a outros lugares... Certa vez me mudei. Passei alguns anos na França e experimentei muitos croissants pela manhã... um sonho. Certa vez me mudei. Mudei-me para perceber que o problema sou eu e nao o lugar onde os pés estão plantados. É difícil encarar os próprios problemas, muito mais fácil opinar na vida dos outros. Acho que por isso sempre desviei o furacão que tormenta minha alma. Culpar a falta de educação do vizinho da frente é muito melhor do que encarar-me de frente no espelho, afinal.
Como sempre, não faço idéia do que estou falando. Esperando o sorriso educado e as mesmas palavras retiro-me para o quarto e fico um pouco comigo, pode até fazer mal, mas é tudo que tenho.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Te enclausuraram e fizeram com que parecesse normal. Presentearam e deixaram a deus dará, fazendo crescer como um tumor impregnado a raiva que permeava seus lábios delicados. Encontraram explicações diversas, a biologia, a natureza "é fraca por conta da maternidade, tem é que ficar em casa e descançar." Ouviu os maiores absurdos que alguém pode dizer e continuou ali, firme. Teve a dignidade submetida a dogmas irracionais. Disseram que não era capaz e ergueu-se mesmo assim, mostrando que a força vem de onde menos esperamos. A liberdade que conquistou reflete nas coisas que faz. Que continue firme e não queira parecer com aquilo contra o que tanto lutou, mulher. Te queremos livre, leve, louca.
Como quando não cabe no próprio corpo, quando o berro cala e o metro quadrado nao lhe é suficiente. A coçeira toma conta do corpo todo que estremece... Todas as decisões amaldiçoadas por bocas que abrem e fecham sem parar. Tudo lhe foi dito, tudo lhe foi reservado. O que? Ouvir o que eu inventei pra mim e continuar assim. Viver sem mais nem menos, foda-se o que há de vir... Nunca foi tão dificil assim, por que seria?
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