Eu odeio todo mundo!
Odeio quem diz que odeia os outros, odeio quem diz que não odeia. Odeio quem cancela seus compromissos por causa da chuva, odeio quem não gosta de suco de uva. Na verdade, uso a desculpa, pra dizer que odeio tudo. Odeio pseudo-intelectualidade, odeio quando acho que tenho certeza de algo. Odeio odiar tudo, odeio.
Saio xingando todo mundo em pensamento, dou um sorriso falso desvio o olhar e desejo o pior. Odeio escrever pra todo mundo, odeio escrever pra mim mesmo, odeio escrever. Odiaria não saber escrever. Odeio as cores, a luz, o escuro. Odeio tudo, odeio o mundo.
Odeio odiar tudo. Realmente odeio odiar o mundo.
O ódio que satisfaz a mente psicopata, também satisfaz a mais pura das beatas.
Escrevo e mato tudo. Com caneta, em papel sujo.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Nessa data querida
O dia mais importante da vida de seu filho havia passado. No trabalho, havia lucrado como nunca e os negócios estavam a todo vapor. Ciência, tecnologia, dinheiro...Ah! Isso era fácil. Estava habituado a situações inimagináveis no trabalho, há tempos.
A vida se fazia dentro das oito horas diárias que passava no escritório. Se sentia bem, era dono de si. Controle, dominação.
O centro do universo situava-se na enorme tela que permanecia ligada durante quase vinte e quatro horas por dia. Sua bíblia, seu alcorão...
Foi assim durante boa parte de sua vida. Sempre fora ambicioso, determinado, ganancioso até. Desde sempre com a cara nos livros, na escola era tido como um dos melhores alunos. Fez cursos de línguas e tecnologia paralelamente aos cursos obrigatórios.
Chegava até aquele dia com tudo o que sempre sonhou, ou quase tudo. Conhecia sobre o amor, a amizade. Estava tudo nos livros.
O presente de aniversário que entregou à seu filho com um dia de atraso era colossal. O abraço afrouxado e desajeitado o constrangia mais do que qualquer reunião da qual já havia participado. Queria desculpar-se, dizer que sentia muito pela situação. Afastou-se, vermelho e suado. Mentalmente dizia “te amo, você nem sabe o quanto...”.
Sua voz saiu rouca ao proferir:
-Espero que tenha gostado. Preciso trabalhar...
A vida se fazia dentro das oito horas diárias que passava no escritório. Se sentia bem, era dono de si. Controle, dominação.
O centro do universo situava-se na enorme tela que permanecia ligada durante quase vinte e quatro horas por dia. Sua bíblia, seu alcorão...
Foi assim durante boa parte de sua vida. Sempre fora ambicioso, determinado, ganancioso até. Desde sempre com a cara nos livros, na escola era tido como um dos melhores alunos. Fez cursos de línguas e tecnologia paralelamente aos cursos obrigatórios.
Chegava até aquele dia com tudo o que sempre sonhou, ou quase tudo. Conhecia sobre o amor, a amizade. Estava tudo nos livros.
O presente de aniversário que entregou à seu filho com um dia de atraso era colossal. O abraço afrouxado e desajeitado o constrangia mais do que qualquer reunião da qual já havia participado. Queria desculpar-se, dizer que sentia muito pela situação. Afastou-se, vermelho e suado. Mentalmente dizia “te amo, você nem sabe o quanto...”.
Sua voz saiu rouca ao proferir:
-Espero que tenha gostado. Preciso trabalhar...
domingo, 20 de setembro de 2009
Borracha e asfalto
Gosto de andar a pé. Sentir a brisa que bate incessantemente em meu rosto. Ando pelas ruas molhadas pela chuva, como quem anda nas areias mais fofas de uma praia.
A música que escuto dita o ritmo dos passos. As luzes dos carros projetam sombras disformes nas paredes de fábricas fechadas. O cachorro que late solitário na casa distante parece conversar com as estrelas. Gosto disso. Me sinto vivo, livre. Nenhuma luz me manda parar, seguir ou diminuir os passos. Parece besteira, mas realmente gosto.
Chego em casa sem pressa, durmo.
A música que escuto dita o ritmo dos passos. As luzes dos carros projetam sombras disformes nas paredes de fábricas fechadas. O cachorro que late solitário na casa distante parece conversar com as estrelas. Gosto disso. Me sinto vivo, livre. Nenhuma luz me manda parar, seguir ou diminuir os passos. Parece besteira, mas realmente gosto.
Chego em casa sem pressa, durmo.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Vestido e smoking
O copo preenchido com um espumante barato pairava em cima da mesa enfeitada cuidadosamente por algum funcionário do buffet. Ao longe, na pista de dança, Rafael via os formandos animados, dançando uma canção famosa, dos anos 50. Aquelas que sempre tocam em casamentos...
Todos que integravam o grupo de Rafael haviam se levantado e corrido para a pista de dança que agora parecia um formigueiro. Era ridículo visto dali. “Como alguém pode gostar disso?” pensou ao ver todos pulando como uns retardados.
A luz baixa e melancólica tinha um aspecto nostálgico, preguiçoso e romântico. O salão estava todo enfeitado e as pessoas presentes pareciam ter caprichado ao máximo nos vestidos e smokings. Rafael olhou seus sapatos e pensou que era aquilo, finalmente se formara no colegial. O momento mais aguardado desde a primeira vez em que pisou na escola, há 11 anos.
Ao fazer um balanço de sua vida escolar relembrou todos os momentos marcantes. As turmas pelas quais passou, os professores legais, os imbecis. Os rostos dos amigos que fizera durante os anos na escola passavam em câmera lenta por sua mente, quase sempre com um sorriso. Rafael os via exatamente do jeito que mais gostava...
Apesar de tudo, não estava feliz. A garota da qual gostava desde a sétima série estava sentada a umas três mesas de distância. Porém, na cabeça de Rafael era como se estivesse a quilômetros. Nunca tivera coragem de falar com ela. Toda sua coragem se esvaia ao pensar em lhe dirigir a palavra.
As músicas que o dj tocava agora eram românticas. Umas três já haviam passado sem que Rafael percebesse. Nem notara que a luz havia diminuído ainda mais. De repente, como se tivesse acordado de um transe, o som se tornou extremamente familiar. A música que começara era bem conhecida, pelo menos para Rafael. Uma força que não sabia de onde vinha fez com que olhasse para o lado. A garota o olhava também, um leve sorriso aprovava a ação de Rafael. Sem saber como, ou porque, seguiu em direção a pista, assim, sozinho. Não ficou surpreso quando sentiu a mão suave pegar na sua, sem aviso.
A pista agora não estava tão cheia, mas Rafael sentiu-a como se estivesse vazia. Parado, em frente aos olhos com os quais sempre sonhava, não sentiu mais o nervosismo. Era como se a música o anestesiasse tirando-o a noção real do ambiente a sua volta.
- Achei que nunca fosse me convidar – disse a garota.
- Estava esperando o momento certo – respondeu Rafael, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
- Bom, não podia esperar por um melhor...
Todos que integravam o grupo de Rafael haviam se levantado e corrido para a pista de dança que agora parecia um formigueiro. Era ridículo visto dali. “Como alguém pode gostar disso?” pensou ao ver todos pulando como uns retardados.
A luz baixa e melancólica tinha um aspecto nostálgico, preguiçoso e romântico. O salão estava todo enfeitado e as pessoas presentes pareciam ter caprichado ao máximo nos vestidos e smokings. Rafael olhou seus sapatos e pensou que era aquilo, finalmente se formara no colegial. O momento mais aguardado desde a primeira vez em que pisou na escola, há 11 anos.
Ao fazer um balanço de sua vida escolar relembrou todos os momentos marcantes. As turmas pelas quais passou, os professores legais, os imbecis. Os rostos dos amigos que fizera durante os anos na escola passavam em câmera lenta por sua mente, quase sempre com um sorriso. Rafael os via exatamente do jeito que mais gostava...
Apesar de tudo, não estava feliz. A garota da qual gostava desde a sétima série estava sentada a umas três mesas de distância. Porém, na cabeça de Rafael era como se estivesse a quilômetros. Nunca tivera coragem de falar com ela. Toda sua coragem se esvaia ao pensar em lhe dirigir a palavra.
As músicas que o dj tocava agora eram românticas. Umas três já haviam passado sem que Rafael percebesse. Nem notara que a luz havia diminuído ainda mais. De repente, como se tivesse acordado de um transe, o som se tornou extremamente familiar. A música que começara era bem conhecida, pelo menos para Rafael. Uma força que não sabia de onde vinha fez com que olhasse para o lado. A garota o olhava também, um leve sorriso aprovava a ação de Rafael. Sem saber como, ou porque, seguiu em direção a pista, assim, sozinho. Não ficou surpreso quando sentiu a mão suave pegar na sua, sem aviso.
A pista agora não estava tão cheia, mas Rafael sentiu-a como se estivesse vazia. Parado, em frente aos olhos com os quais sempre sonhava, não sentiu mais o nervosismo. Era como se a música o anestesiasse tirando-o a noção real do ambiente a sua volta.
- Achei que nunca fosse me convidar – disse a garota.
- Estava esperando o momento certo – respondeu Rafael, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
- Bom, não podia esperar por um melhor...
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Mais um poema de amor
Poemas baratos
que dizem nada
sobre o que quase todos sabem.
O amor não se escreve,
se bebe,
como uma taça gelada
em noite clara,
quente.
Mesmo assim,
eles insistem.
Escrevem, através dos séculos
as mesmas coisas,
em versos outros.
Assim sendo,
também te peço
pra que aceite o verso
sujo,
barato.
E te escrevo
pra te dizer
o que você
já deve saber:
Te amo
que dizem nada
sobre o que quase todos sabem.
O amor não se escreve,
se bebe,
como uma taça gelada
em noite clara,
quente.
Mesmo assim,
eles insistem.
Escrevem, através dos séculos
as mesmas coisas,
em versos outros.
Assim sendo,
também te peço
pra que aceite o verso
sujo,
barato.
E te escrevo
pra te dizer
o que você
já deve saber:
Te amo
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