O dia mais importante da vida de seu filho havia passado. No trabalho, havia lucrado como nunca e os negócios estavam a todo vapor. Ciência, tecnologia, dinheiro...Ah! Isso era fácil. Estava habituado a situações inimagináveis no trabalho, há tempos.
A vida se fazia dentro das oito horas diárias que passava no escritório. Se sentia bem, era dono de si. Controle, dominação.
O centro do universo situava-se na enorme tela que permanecia ligada durante quase vinte e quatro horas por dia. Sua bíblia, seu alcorão...
Foi assim durante boa parte de sua vida. Sempre fora ambicioso, determinado, ganancioso até. Desde sempre com a cara nos livros, na escola era tido como um dos melhores alunos. Fez cursos de línguas e tecnologia paralelamente aos cursos obrigatórios.
Chegava até aquele dia com tudo o que sempre sonhou, ou quase tudo. Conhecia sobre o amor, a amizade. Estava tudo nos livros.
O presente de aniversário que entregou à seu filho com um dia de atraso era colossal. O abraço afrouxado e desajeitado o constrangia mais do que qualquer reunião da qual já havia participado. Queria desculpar-se, dizer que sentia muito pela situação. Afastou-se, vermelho e suado. Mentalmente dizia “te amo, você nem sabe o quanto...”.
Sua voz saiu rouca ao proferir:
-Espero que tenha gostado. Preciso trabalhar...
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário