segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Vestido e smoking

O copo preenchido com um espumante barato pairava em cima da mesa enfeitada cuidadosamente por algum funcionário do buffet. Ao longe, na pista de dança, Rafael via os formandos animados, dançando uma canção famosa, dos anos 50. Aquelas que sempre tocam em casamentos...

Todos que integravam o grupo de Rafael haviam se levantado e corrido para a pista de dança que agora parecia um formigueiro. Era ridículo visto dali. “Como alguém pode gostar disso?” pensou ao ver todos pulando como uns retardados.
A luz baixa e melancólica tinha um aspecto nostálgico, preguiçoso e romântico. O salão estava todo enfeitado e as pessoas presentes pareciam ter caprichado ao máximo nos vestidos e smokings. Rafael olhou seus sapatos e pensou que era aquilo, finalmente se formara no colegial. O momento mais aguardado desde a primeira vez em que pisou na escola, há 11 anos.

Ao fazer um balanço de sua vida escolar relembrou todos os momentos marcantes. As turmas pelas quais passou, os professores legais, os imbecis. Os rostos dos amigos que fizera durante os anos na escola passavam em câmera lenta por sua mente, quase sempre com um sorriso. Rafael os via exatamente do jeito que mais gostava...

Apesar de tudo, não estava feliz. A garota da qual gostava desde a sétima série estava sentada a umas três mesas de distância. Porém, na cabeça de Rafael era como se estivesse a quilômetros. Nunca tivera coragem de falar com ela. Toda sua coragem se esvaia ao pensar em lhe dirigir a palavra.

As músicas que o dj tocava agora eram românticas. Umas três já haviam passado sem que Rafael percebesse. Nem notara que a luz havia diminuído ainda mais. De repente, como se tivesse acordado de um transe, o som se tornou extremamente familiar. A música que começara era bem conhecida, pelo menos para Rafael. Uma força que não sabia de onde vinha fez com que olhasse para o lado. A garota o olhava também, um leve sorriso aprovava a ação de Rafael. Sem saber como, ou porque, seguiu em direção a pista, assim, sozinho. Não ficou surpreso quando sentiu a mão suave pegar na sua, sem aviso.

A pista agora não estava tão cheia, mas Rafael sentiu-a como se estivesse vazia. Parado, em frente aos olhos com os quais sempre sonhava, não sentiu mais o nervosismo. Era como se a música o anestesiasse tirando-o a noção real do ambiente a sua volta.

- Achei que nunca fosse me convidar – disse a garota.
- Estava esperando o momento certo – respondeu Rafael, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
- Bom, não podia esperar por um melhor...

Um comentário:

Aninha disse...

Amor,gostei!!!No começo até lembrei dos meus tempos de escola.
Você está se superando a cada texto!!!Amo você