quinta-feira, 12 de abril de 2012

Não me disseram que seria assim. Os livros descreveram, tudo errado. No canto do quarto não ouvi os violinos de Paganini ou as notas tristes da Orquestra Imperial. Foi o silêncio. Silêncio que gritou seu nome, me fez tremer e sentir a bomba do peito explodindo categoricamente, rasgando cada centímetro de pele. As pernas pareciam fracas o dia inteiro e o rosto inchado me mostrava a última coisa que eu queria ver.
Dói. Ter que descer na estação e te ver pegar o próximo trem sozinha dói. Mudado de todos os jeitos possíveis, guardo as marcas de cada viagem que fizemos juntos. As melhores do mundo. Sento no banco do terminal e escrevo cada memória que passa pela minha cabeça, tenho medo que um dia o tempo leve a saúde e com ela o que me restou de você. Sento no banco e vejo tudo. Não é tão confortável como os bancos que dividimos, mas é o que me resta.
No quarto, na estação, em São Paulo, na minha cabeça... Ficou o que um dia foi o homem mais feliz do mundo.

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