Te olho de longe e é perfeita. Inteligente, bonita, engraçada, sagaz... Te vejo sorrindo e não escuto sua voz. Seus olhos acompanham a risada e reverenciam o interlocutor. É perfeita assim. Pra quê me aproximar? Posso talvez descobrir que não é tão legal quanto imaginava, que é chata de vez em quando e que se irrita com facilidade. Por quê mexer no que é platonicamente delicioso e cabe exatamente no meu sonho? Pensando com os meus botões...
Isso é super filosofia, preguiça. É confortavél continuar assim e poderia evitar me relacionar com todo e qualquer ser humano. Talvez fosse melhor, viveria plenamente feliz com a idéia que criasse a respeito de tudo. Todos são perfeitos vistos de longe... pff, não é isso que eu quero.
Idiossincrasias. Quero o que lhe é peculiar, seus defeitos e medos. Suas ambições que te tornam você. Quero o feio, o chato, o insuportável. Se não fosse assim, me satisfaria com alguma personagem de Jane Austen. Dormiria todas as noites abraçado com a idéia que crio sobre uma coisa intocável. Pessoas têm medo. Medo da verdade, medo do difícil, do inesperado...
Te olho de longe e é perfeita. Te olham de longe e é perfeita. Qualquer um que enxergue chega a essa conclusão. Me aproximo e te vejo de perto, avistando cada contorno que lhe foi reservado, cada traço que te diferencia da multidão de pessoas perfeitas. Não quero perfeição, quero o real, o que a torna humana e única. Dê-me as indiossincrasias que são invisíveis a todos que lhe sorriem de longe.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
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Um comentário:
dou!
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