sexta-feira, 5 de março de 2010

desapego

Parou e olhou em frente. formigas andando em sua direção esbarravam como se nao estivesse ali. Era sempre assim. Começava a andar e desviar como se fosse um esporte olímpico. Talvez, se isso fosse um esporte, ele seria o melhor. Nunca foi bom em nada, absolutamente nada. Sentia o cheiro que saia dos escapamentos dos carros, das pessoas. Sentia-se enojado. Todos os dias eram iguais. a n d a ... s e n t a ... a n d a ... s e n t a. Nunca entendeu por que fazia aquilo, ou porquê todos aderiam a essa merda sem nem ao menos reclamar:

- Eu preciso - é o que ouvia.
- Pro inferno com tudo isso!

Era tido como louco, pela própria família.
Saiu um dia e não mais voltou. Andou na pista de sola no chão e mochila nas costas. Pela primeira vez fez o que queria. Longe de obrigações maçantes e músicas dançantes. Longe disso. Não sabia onde ia, não se importava. Passou na casa da dona do sorriso mais lindo. Não foi preciso dizer nada.

- Só um minuto - foi o que ouviu.
- não se preocupe com o tempo - respondeu

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