Por achar que estava morto, andou sem sentir os pés. Caminhou sobre pedras cortadas e encaixadas toscamente. Andou um caminho conhecido, um trajeto que ja havia feito várias vezes. Dessa vez sem vida. Ao aproximar-se do destino, sentiu algo estranho dentro de sua pele, não sabia dizer exatamente onde, só que batia e incomodava, desritmando seus passos sem vida. Sentiu crescer no peito um calor quase insuportável que não era resultado dos quarenta graus que fazia na rua.
Pisou com o pé direito, dentro. Sentiu o comodo engolir o que ainda restava de seu corpo e deixou-se cair. Transpirava como um porco, sentiu as gotas escorrerem pelo couro cabeludo e mostrarem-se no rosto vermelho. Sentiu o que achava não existir; o que achou ter ficado pra trás, largado como nada. Viu um par de pernas se afastando e sentiu o coração escapando também. Seguiu os cabelos negros e chegou a um quarto branco, mais colorido do que qualquer coisa que havia visto. Estava vivo, sabia disso.
A vontade de gritar era imensa, mas sabia que era importante segurar-se ali. Só fez sorrir e fotografar tudo com seus olhos que não podiam esconder o entusiasmo... Sentiu seus braços formigarem, mais um sinal de vida. As extremidades não estavam mortas e o incomodo em seu peito tomou conta de todo seu corpo, pulsando cada vez mais forte. Segurou os braços da dona dos cabelos negros. O mundo se fazia presente do lado de fora, como um organismo vivo, independente. Os carros buzinavam e algumas árvores deixavam seus frutos caírem, mostrando que também estavam vivas. Tudo era sinal da vida. Tudo. Mas foram os braços e o par de pernas da dona dos cabelos negros que o certificaram de sua existência, além dos cômodos mágicos que sempre o levaram a um infinidade de lugares diferentes... "Nunca mais quero sair daqui"
sexta-feira, 16 de março de 2012
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Um comentário:
cabelos negros que sao mais felizes quando soprados por você.
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