sábado, 13 de fevereiro de 2010

idéias

Queria que as idéias voltassem a preocupar...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

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Tenho medo de tudo, e vontade também. Tenho medo de morrer, mais ainda de viver. Sinto medo de falar, só não mais do que calar. Tenho sede de água, e de veneno tão bem. Tenho raiva das pessoas, mas não vivo sem alguém. Sinto o vento refrescar, sufocar, estrangular. Choro de alegria e também sei lá porquê. Grito alto no escuro, mas nem eu consigo ouvir. Sento espero ouço mudo, as vozes de quem já partiu. Tenho milhóes de pessoas, e estou sempre aqui. Um amigo de papel, me disse que é melhor assim. Quem diria que a tinta, nessa hora tão maldita, seria dos caminhos, o melhor a seguir?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Manifesto contra o Trabalho

"Aos excluídos só resta uma função social: a de ser um exemplo aterrorizante. O destino deles deve incentivar a todos os que ainda fazem parte da corrida de "peregrinação a Jerusalém" da sociedade do trabalho na luta pelos últimos lugares. Este exemplo deve ainda incitar às massas de perdedores a manterem-se em movimento apressado, para que não tenham a idéia de se revoltarem contra as vergonhosas imposições."

Manifesto Contra o Trabalho - Grupo Krisis

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

""Jovens vozes arrogantes', como diz o ditado. Eu odiava cada um deles. Quem eles pensavam que eram, vaiando alguém na estrada só porque eram jovens desordeiros e secundaristas e seus pais assavam rosbifes nas tardes de domingo? Quem eles pensavam que eram, zombando duma menina numa situação difícil com um homem que queria ser amado? Nossa vida era da nossa própria conta. E não conseguimos uma maldita carona."

JACK KEROUAC - On the road

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

conversa solta

Certo dia ouvi dizer que o Brasil era de todos. Triste frase, que saiu da boca mimada de dentes fortes e brancos, desses tratados com carinho e amor por uma mãe preocupada. Certo dia ouvi dizer que o Brasil é um só. Compreensível, se pensarmos que a voz que pronunciou essas palavras tem sempre tudo que quer.
Certo dia escrevi um texto pra dizer, que o Brasil não é um só, que o seu Brasil não é o meu.
Meu Brasil é o das palavras, das pessoas mau amadas, imcompreendidas. Das palavras pronunciadas na compania de um violão. Dos muros pintados que gritam frases, mais alto do que o ronco do motor do seu carro, mais alto do que você consegue ouvir. É o Brasil da puta, do operário que te faz enriquecer. Do dedo amputado pela máquina da vida, da tua vida. O Brasil do sorriso sincero e tímido de quem não tem o que comer frente a lente, qualquer que seja, que intimida e desperta curiosidade. Do índio morto, não o de boné de vereador - como você diz -, mas o injustiçado e caçado por nós, por nós.

Pensando nisso, te pergunto, qual é o seu Brasil?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Com Incidências

A folha seca que o outono derrubara despertou a atenção da criança até então distraída que seguia para a escola. As fezes despejadas pelo cão da tão correta dama que esquecera seu saquinho plástico em casa devido ao atraso causado pelo leite derramado no fogão fizeram com que Seu João sujasse a sola do sapato novo, antes limpo. O tempo pra limpar a sola suja de dejetos caninos deixados pra trás pela dama que esquecera seu saquinho plástico fez com que Seu João perdesse o ônibus 074B. A criança que depois da folha seguiu em frente, distraidamente, como quase sempre, não viu o sinal, que estava vermelho. O braço enrugado e velho que segurou o ombro da criança distraída pertencia ao homem que perdera ao ônibus por causa do cão da dama que esquecera seu saquinho plástico em casa. Seu João que chegou em casa tarde da noite dormiu de lado sem saber que o 074B sofrera um acidente com 10 vítimas fatais. A criança que bebia o leite já não lembrava do braço enrugado e velho que parou seu ombro que estaria morto se o cão da dama que esquecera seu saquinho plástico não houvesse deixado seus dejetos no chão. E isso, ninguém imaginava.

- Mais do que as pessoas, as fezes e folhas salvam vidas todos os dias -

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Rotina Noturna II

Saio para rua gelada e convidativa. Saio sozinho, sempre. É como um ritual.

Ouço todos os ruídos que a noite me oferece. As luzes que me cegam me fazem enxergar com clareza.

Nas casas as famílias festejam, quentes, alheias a realidade. Nunca planejo meu roteiro. Minha única certeza é a cólera que me domina e cresce a cada passo. A fumaça que consome meu pulmão me deixa feliz... não, feliz não. Deixa-me satisfeito por diminuir meus dias a cada tragada. Por mim metia logo uma bala na merda da minha cabeça e acabava com tudo. Todos ficariam mais satisfeitos.

Mas a verdade é que não tenho coragem para tal feito. Admito. Sou um frouxo.

Portanto, continuo na rua, gelada e convidativa. Saio sozinho. Um cão sarnento que afugenta qualquer tentativa de aproximação. Um cão sarnento à procura de um revólver.