Na chuva, no frio, me encontro só. Os pingos que caem do céu não são abençoados, não. São como pedras de gelo e pesam uma tonelada. Batem no meu rosto sem pedir licença e arranham a pele fria, já cortada, sem pudor. Chove muito.
Estou sem ninguém ao redor e, daqui, parece que estou só no planeta inteiro. A luz de uma padaria já fechada me ilumina. Nenhum carro passa. Estou no ponto de ônibus, a propósito.
Uma pessoa se aproxima e fica a mais ou menos um metro de distância de mim. Mas ainda assim estou só. Sinto vontade de me aproximar. É um homem. Deve ter uns cinqüenta anos já. Pelo menos é o que parece visto daqui, sob essa luz fraca e amarela. Não tenho coragem de me aproximar, nunca tive. Sempre fui assim. Um ônibus aparece no fim da rua e se aproxima. Vem se arrastando como um animal quase morto, mas com sede. Se aproxima, não é o meu. É o do homem.
O braço molhado do senhor todo esticado é o sinal para o ônibus parar. Ele pára. Ele sobe.
Estou só, como sempre. Estou só. A bateria do aparelho que me proporciona alguma música está pra acabar. Acabando. Acabou.
- Que merda! Grito sozinho.
Estou só.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
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2 comentários:
?????????
Meu caro Felipe...
Tu devirias participar do Tantas Letras desse semestre. Acho que seria muito proveitoso, até porque já escreves muito bem.
Abraço...
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