terça-feira, 11 de agosto de 2009

Palhaço do circo cotidiano

Já estava na metade do caminho quando o primeiro par de braços o encontrou. Seguido de gargalhadas, sorrisos e ternura o palhaço continuava seu caminho, rumo ao seu destino diário. O farol em que trabalhava era bem movimentado, ficava no bairro de luxo de uma cidade não tão luxuosa.

A luz vermelha indicava que era hora de entrar em ação. Malabarismo, pirofagia, acrobacia, tudo era válido durante aquelas 12 horas quase ininterruptas. O indispensável era a roupa, não que o palhaço alguma vez tivesse pensado em se apresentar nu em pêlo, não, é que a roupa era essencial para dar vida ao nosso personagem, e nome também.

Olhares curiosos o seguiam após o inicio da apresentação. Quase todos paravam, olhavam, admiravam, sempre sorrindo... alguns jogavam um trocado que, eventualmente, estava perdido em algum compartimento de seu veículo, ou no bolso da calça.

Ao final do dia, já em “casa”, se é que aquilo podia ser chamado de casa, encontrava-se sozinho, sem sorriso, ternura ou braços capazes de lhe apontar. Deitado em seu colchão, após ter comido o pão que conseguiu com os trocados do dia, virou-se sem desejar muito, “não vejo a hora de ver aqueles rostos novamente” pensou, seus dentes deixando escapar um leve sorriso. Adormeceu.

Um comentário:

Anônimo disse...

Amor,acho que você encontrou seu dom!!!Está muito bom!
Te amo muito!
Mil beijos
Aninha