Observava sua sopa de feijão enquanto picava a torrada, ajeitando-a carinhosamente sobre o prato. Fazia um balanço das atividades diárias, nada produtivo, como sempre. Com as mãos calejadas, pegou a colher, preencheu-a com a sopa já fria e comeu.
Os sessenta anos vividos até ali traziam experiência para lidar com quase qualquer tipo de situação. Acostumara-se com os nãos e o gosto amargo da rejeição, quando procurava um emprego. A derrota de seu time era sempre dolorosa, mas suportável. Havia força em seu corpo magro para acordar, todos os dias, e correr atrás do prejuízo causado pela mísera aposentadoria.
Ao deitar na cama e virar-se para a esquerda sentiu uma dor terrivel, sempre sentia. Nada parecia fazer sentido. Era como se agora não houvesse vida além de seu coração, que não batia mais com a mesma intensidade. Tudo além daquela velha cama parecia ofuscado pelos flashes que sua mente o obrigava a ver. Era sempre assim.
Há anos que o espaço vazio daquela cama o destruía todas as noites.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
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Um comentário:
SIMPLESMENTE MARAVILHOSO!!
Até me emocionei.. tô tão orgulhosa mano querido!
bjo..
Gi
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