quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Sopa de feijão

Observava sua sopa de feijão enquanto picava a torrada, ajeitando-a carinhosamente sobre o prato. Fazia um balanço das atividades diárias, nada produtivo, como sempre. Com as mãos calejadas, pegou a colher, preencheu-a com a sopa já fria e comeu.

Os sessenta anos vividos até ali traziam experiência para lidar com quase qualquer tipo de situação. Acostumara-se com os nãos e o gosto amargo da rejeição, quando procurava um emprego. A derrota de seu time era sempre dolorosa, mas suportável. Havia força em seu corpo magro para acordar, todos os dias, e correr atrás do prejuízo causado pela mísera aposentadoria.

Ao deitar na cama e virar-se para a esquerda sentiu uma dor terrivel, sempre sentia. Nada parecia fazer sentido. Era como se agora não houvesse vida além de seu coração, que não batia mais com a mesma intensidade. Tudo além daquela velha cama parecia ofuscado pelos flashes que sua mente o obrigava a ver. Era sempre assim.

Há anos que o espaço vazio daquela cama o destruía todas as noites.

Um comentário:

Anônimo disse...

SIMPLESMENTE MARAVILHOSO!!

Até me emocionei.. tô tão orgulhosa mano querido!

bjo..
Gi