O céu está cheio de teias.Teias e moscas presas. O céu está a deus dará, entre as nuvens ecoa o sopro do vento e os raios de sol produzem um espetáculo que ninguém vê. O céu está cheio de teias. As pessoas não o visitam mais, nem em sonhos, nem depois de mortas. Ninguém sabe o que existe no céu, a algum tempo ele está inabitado e nenhum antepassado pode deixar nenhuma informação, pois haviam esquecido. O céu está inabitado. Perdemos tempo demais aqui na terra com coisas que já nem lembramos mais. Os sonhos não ultrapassam os dois mil pés de altura e as nuvens só servem pra provocar chuvas. Chuvas ácidas que não lavam a nossa alma. Os anjos se retiraram aos aposentos e se entediam com jogos de cartas e vinhos baratos. Os anjos inquietos que ousavam rasgar a barriga do céu e descer em busca de aventura, já não o fazem. Pela primeira vez na história o céu está aberto a visitação e somente as aranhas o visitam para esbnajar suas habilidades arquitetônicas.
As ocupações na terra mantém as pessoas por aqui eternamente. As tarefas são tantas que não se pode abandonar o solo nem mesmo depois de morto. Vagam as almas entre prédios frios e postes de eletricidade. Vagam entre as certezas de que sempre fizeram as coisas certas, sem nenhum questionamento, sem nenhuma dúvida. As ruas estão cheias de lixo e orgulho, orgulho e lixo. Nós nas gargantas que silenciam a vontade de gritar, que emudecem o sussurro aos céus. Cabeças que perderam as asas e não mais voam acima dos prédios, que ficaram cabeçudas a ponto de acharem que não precisam de asas. Prenda-me ao solo e me mostre o caminho. Um guia prático e um livro de auto ajuda pra manter a sanidade que se hospedou por aqui. O céu esta coberto de teias de aranha. Ninguém está a salvo. Que os anjos aprendam a morrer e a mentir. Que eu aprenda a andar e a sorrir.

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