terça-feira, 31 de julho de 2012

Entre as ruas vazias e mal iluminadas, as árvores que destroem calçadas e as casas que adormecem aos poucos.  Acompanhado do medo que distribui entre todas as crianças do mundo, do meu mundo, anda devagar enquanto fuma seu cigarro e não se esforça nem mesmo pra soprar a fumaça de seus pulmões, deixando a cortina de fumaça cobrir seu rosto pouco antes de se perder no ar.

Os relatos são variados. Há quem diga que faz um barulho sutil enquanto se arrasta até pegar suas vítimas. Confesso que já o ouvi algumas vezes do lado de fora de casa. Algumas pessoas juram de pés juntos que é mudo, outros dizem que não abre a boca pra falar por opção. Eu sei que adora pegar desprevenido e que mora no fim da rua. Desde sempre usou a mesma sandália e arrastou o pé. O saco sem fundo guarda todas as crianças do meu tempo. Não mais a bola no portão do vizinho, não mais pastel na hora do almoço, nada de campainha e pernas correndo.

As crianças desapareceram. Por culpa do nosso homem ou não, elas desapareceram. Seduzidas por coisas que desconhece, não sofrem mais o risco de serem arremessadas para o saco sem fundo e escuro, é o que todos pensam. Perdidas em outros sacos e mudas como nosso homem, elas seguem outros caminhos agora. Caminhos inalcansáveis e distantes. As crianças desapareceram e o homem do saco, sem ter mais o que capturar, desapareceu também.

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