segunda-feira, 18 de junho de 2012

Em um futuro não muito distante, fez-se a liberdade. Liberdade de ir e vir, pensar, falar, gritar; liberdade sexual e entre gêneros, fez-se a liberdade. A tão desejada e utópica liberdade. Aquela de textos e idéias, livros, músicas e filmes. Livres de qualquer encargo ou horários as pessoas poderiam fazer o que quisessem. Sem dedos apontando direções, ordens a serem seguidas ou líderes idealistas. As pessoas poderiam pensar o que quer que fosse agora, sem necessidade de prestação de contas após o ponto final. O tão sonhado mundo livre, de tudo. O vizinho não colocou o relógio para despertar, o padeiro não assou os pães pela manhã e você não comprou a bolsa que anunciavam na televisão. Atravessar fronteiras sem supervisão de chefes de Estado ou datas previstas para expiração e um andar leve, delicioso e macio. Tudo como queríamos, o maior dos problemas resolvidos. A satisfação entrando pela corrente sanguínea e trazendo a sensação de felicidade ininterrupta, um torpor de sensações mescladas e uma mente adormecida, preguiçosa. Não sabíamos como seria a sensação e continuamos sem saber. Cada um fazia sua idéia na cabeça, afinal de contas todos tinham a liberdade de pensar ou desrespeitar opiniões alheias. Não tardou a aparerer centenas de teorias sobre qualquer coisa, a política deixou de existir, já que não havia necessidade de disputa ou argumentação sobre divergência de opiniões. Todos eram todos na multiplicidade do ser, na liberdade do relativismo e na interpretação de todos os fatos. O caos se fez sem que adimitíssemos, poderia chamar do que eu quiser e você também. A bagunça era generalizada nas ruas e avenidas da cidade e aos poucos passamos a não saber o que fazer com nós mesmos. Sem concordância alguma entre discussões sobre os bezouros que carregavam formigas ou qualquer coisa do gênero passamos a odiar todo mundo, sem perceber que odiávamos a nós mesmos. Podendo ir a qualquer lugar ao acordar, ficávamos cada vez mais nas nossas camas e aos poucos tornamos a ligar nossas televisões, que já não passavam nada. A liberdade confundida com desrespeito, o ego intoxicando a opinião. Humanos que não ouviam mais nada. Foi essa a liberdade encontrada e exercida em um passado não tão distante

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