terça-feira, 19 de junho de 2012

Entrou no quarto escuro, sem sombras ou luz que lhe servissem de referência. Cambaleou no começo, apoiando-se em qualquer coisa. "Você está aí?" perguntou a segunda voz, alta como se usasse um megafone. "Responda, voce está aí?" Não sabia se devido a inutilidade da visão dentro naquele cômodo a audição havia melhorado ou se a voz estava realmente alta do jeito que lhe parecia. Abriu a boca e tentou responder, sem efeito. Encontrou uma cama e sentou, tentando focar qualquer coisa a sua volta. Conhecia aquela cômodo, ja havia visitado aquele lugar algumas vezes, não tantas como deveria, não tantas como queria, mas não era de todo estranho. Apalpou a colcha e sentiu a poeira entre os dedos, o travesseiro abandonado entre as cobertas. Ergueu-se devagar e esticou o braço afim de sentir uma prateleira que ele sabia estar ali na frente. Sentiu a brochura e sorriu, passou rápido para os livros do lado, uma pedra velha repousando no pedaço de madeira. Sabia sobre cada objeto guardado ali, conhecia aquele lugar. Sorriu e continuou, de olhos fechados agora, uma vez que os olhos já não lhe serviam de nada. Deus, como era bom estar de volta. A voz que o chamava de longe começou a diminuir o tom e um som metálico passou a preencher todo o local. O despertador o troxe pra vida real. Não conseguia ficar com ele mesmo, não visitava sua cabeça fazia um tempão... Vestiu a calça e voltou a pegar no batente após um descanso de duas horas.

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